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Quadras negras, quadros negros

Apresentamos um poema que nos faz refletir sobre as raízes mais profundas da ação que culminou com o assassinato do jovem congolês Moise Kabmgabe na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro

Há 4 meses - por Diara Olugbenga
Sociedade brasileira exige justiça em relação àqueles que cometeram esse ato covarde e criminoso contra o jovem Moise
Sociedade brasileira exige justiça em relação àqueles que cometeram esse ato covarde e criminoso contra o jovem Moise (foto por Twitter)

Esses versos gritam vozes silenciadas

Que ecoam nas perversas naus eternizadas,

Onde insensíveis mãos brancas nos colocam

Em sistemas que oprimem e sufocam.

 

O chicote, em nossa carne, estala;

Nosso corpo é atravessado por uma bala

Que de perdida não tem nada,

Pois a nós sempre esteve endereçada.

 

Durante os dias, sempre nos dizem bandidos,

Durante as noites, sempre somos “desaparecidos”,

Jogados em valas, com primazia logística,

Que transformam nossas vidas em escala estatística.

 

Somos o último fio da navalha,

Somos sempre quem não trabalha,

Com a gente, a arma nunca falha,

Estamos sempre largados no campo de batalha.

 

A morte é nossa companheira de rotina,

Vivemos com a cabeça na guilhotina,

Enquanto uma branquitude sabidamente maligna

Torna a nossa vida, dia a dia, menos digna.

 

Todas as vidas importam!

É o que os humanistas de plantão exortam,

Mas o que nenhum deles diz

É que a vida preta é sempre arrancada pela raiz.

 

 É chegada a hora da reação!

Vamos varrer dos campos dessa nação

Qualquer vestígio dessa gente corrompida,

Desse cidadão de bem, que acaba com a nossa vida.

 

Ká jagun!

 

Vamos à luta!

Ecoemos a palavra bruta,

Cavando sem medo a nossa saída

Dos becos que construíram para prender nossa vida!

 

Igbesi aye!

 

 

O autor é escritor nigeriano radicado no Brasil. Nasceu em Kaduna, no ano de 1978, vindo para o Brasil aos 21 anos de idade, após aquele que ficou conhecido como o Massacre de Odi, ordenado pelo líder do país, Olusegun Obasanjo.

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