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ACN Brasil celebra 25 anos de atuação do escritório no país

O início das celebrações acontece no Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, com a realização de uma Missa celebrada por Dom Bernardino Marchió

Há 18 dias - por Márcio Martins (Ajuda à Igreja que sofre)
ACN Brasil celebra 25 anos de atuação do escritório no país

O escritório da ACN no Brasil, também conhecida como Ajuda à Igreja que Sofre, completa 25 anos de atuação no país. E para celebrar o Jubileu de Prata, a ACN Brasil realizará uma Missa especial na Basílica de Nossa Senhora Aparecida, no dia 25 de setembro, às 12 horas. O mesmo local onde, há 25 anos, também com uma Missa, se dava início às atividades da fundação no país.

Mais que uma celebração, este momento representa um sentimento de gratidão aos milhares de benfeitores brasileiros, que juntos, contribuíram diretamente para que mais de 6.900 projetos fossem apoiados no Brasil desde 1997: uma média de 276 projetos por ano. A Missa será presidida por Dom Bernardino Marchió, bispo emérito de Caruaru, que também estava presente na Missa de inauguração da ACN Brasil. Além de Dom Bernardino, também estarão presentes Frei Hans Stapel, primeiro presidente da ACN Brasil, e Frei Rogério Lima, assistente eclesiástico da ACN Brasil. Também marcarão presença os benfeitores, voluntários, colaboradores e amigos da ACN Brasil.

A ACN já ajuda o Brasil efetivamente desde 1962. Com o tempo a obra caritativa percebeu que o Brasil não era um país totalmente pobre, mas um país de desigualdades. A partir disso, decidiu em 1997 abrir o escritório ACN Brasil, para que os brasileiros pudessem ser benfeitores da Obra, socorrendo não apenas os cristãos que sofrem aqui no Brasil, mas também os cristãos que vitimados pela perseguição, guerras e catástrofes em tantos países do mundo.

Ao longo dos 25 anos, foram milhares de pedidos de ajuda de padres e bispos brasileiros, nos mais variados setores de atuação: formação religiosa, cuidado pastoral, ajudas emergenciais, reabilitação de dependentes químicos, distribuição de Bíblias da Criança e outros livros religiosos, transportes em regiões remotas, suporte para comunidades carentes e de pessoas que vivem em situação de rua, reforma de igrejas, seminários, conventos e centros pastorais, além do apoio à comunicação do Evangelho. A ACN Brasil foi o 17º escritório nacional da Fundação Pontifícia, que atualmente possui 23 escritórios espalhados no mundo inteiro.

Hoje o desafio da ACN Brasil é atender mais pedidos de ajuda urgentes. Os pedidos que chegam para a ACN ainda são maiores do que a capacidade de ajudar. A única forma de transformar essa realidade é conseguir novos benfeitores que aceitem a missão de ajudar os que sofrem miséria, perseguição e até mesmo a guerra. A missão da ACN é continuar enxugando as lágrimas de Cristo nos que mais sofrem sem nunca deixar de sentir a alegria de quem doa e torna realidade o que antes era apenas a esperança dos que aguardam por ajuda.

 

O início

 

A ACN no Brasil teve início há 25 anos. Em 1960 o Padre Werenfried, fundador da obra, escreveu o livro “Me chamam de Padre Toucinho”. Ele enviou um exemplar para todos os bispos que haviam estudado em Roma na intenção de que esses bispos despertassem novos benfeitores em seus países. Após o envio, o Padre Werenfried recebeu muitas cartas e uma delas chamou a atenção, era do Arcebispo do Rio de Janeiro, o Cardeal Jaime de Barros Câmara, que dizia o seguinte:

“Eu li o seu livro e admiro seu trabalho no serviço aos refugiados e à Igreja perseguida. Na América Latina nós ainda não somos uma Igreja perseguida, mas estamos a ponto de nos tornarmos. Se um dia formos perseguidos, você irá nos ajudar, porque esse é o seu trabalho. No entanto se nos ajudar agora será mais barato”.

O argumento convincente do Arcebispo do Rio de Janeiro chegou na mesma época em que o Papa João XXIII pediu que a ACN estendesse sua ajuda para a América Latina. Padre Werenfried então voou da Europa para o Brasil, passando também pela Argentina, Chile, Peru, Bolívia, Colômbia, Venezuela e México. Ele visitou as grandes favelas, encontrou pessoas famintas e em condições subumanas.

No Rio de Janeiro o Padre Werenfried visitou o Cristo Redentor, não como turista, mas como um peregrino, incomodado com a pobreza e a Igreja em perigo. Lá ele compôs a seguinte oração:

“Senhor Jesus Cristo, eu vim de bem longe para falar contigo em nome dos pobres. Permita-me dizer-Te que aquilo que eu vi nesta parte do mundo é um escândalo. Aqui a Tua Igreja é mais vulnerável do que em qualquer outro lugar do mundo. O campo de batalha no qual se luta pelo futuro do teu Reino está no coração dos pobres, que estão nesta terra abandonados ao seu destino por tempo demais.

Agora me encontro nesta cidade maravilhosa, na qual Tu estás de pé sobre esta montanha, à beira do oceano, de mãos bem estendidas. Teu olhar é sério e melancólico. Tu vês a beleza ebúrnea da Copacabana que se aconchega à curvatura levemente palpitante do mar. Uma bela cidade Senhor. Mas bem que Tu vês também as terríveis favelas, os quarteirões de miséria dos pobres que se esgueiram morro acima em todo o lugar onde a montanha não se adapta à moderna arquitetura.

Eu sei Senhor, que não posso te repreender. A repreensão atinge a nós. Aqui no Corcovado só está a Tua imagem, um Cristo de pedra que foi transportado para cá peça por peça. O Cristo vivo que devemos ser toma finalmente posse de nós Senhor. Dá-nos a força de irradiar a Tua bondade e o Teu amor para esses irmãos pobres. Faze-nos tomar consciência de que o maior perigo é a miséria. Dá-nos a nobreza de nos desapegarmos de todo o supérfluo, não por medo, mas por uma consciência cristã do dever. Obriga-nos finalmente à justiça e ao amor para com todos os que amaldiçoam o Teu nome por não encontrarem em nós a Tua bondade. E agora, da Tua alta montanha no Rio, abençoa a pequena Europa para que ela se torne grande no amor. Amém.”

Padre Werenfried se tornou amigo do jovem bispo da Arquidiocese de Natal, Dom Eugênio de Araújo Sales. Muitos projetos revolucionários nasceram a partir dessa amizade. O próprio Dom Eugênio cita um: “Padre Werenfried foi um grande missionário. Quando o Papa Paulo VI permitiu que pequenas comunidades de religiosas assumissem paróquias com a presença de sacerdotes apenas aos domingos, o Padre Werenfried entendeu a importância daquela iniciativa que viria a ser uma grande e abençoada experiência da Igreja nos anos seguintes. Sua ajuda às comunidades religiosas concedeu muitos benefícios materiais e muito mais espirituais. E gostariam, sem dúvida, de unir-se a mim nestas palavras singelas de agradecimentos tantas pessoas que receberam estes benefícios.”

Este projeto ganhou repercussão no mundo inteiro. Pela primeira vez na história da Igreja, irmãs religiosas assumiam uma paróquia. A revista “Visão”, em sua edição de 31 de julho de 1964, assim divulgava a novidade: “Freiras tomam conta de tudo”. No agreste do Rio Grande do Norte, no município de Nísia Floresta, as Irmãs Missionárias de Jesus Crucificado preparavam os matrimônios, faziam pregações, batizados e tornavam-se conhecidas graças à visão profética de Dom Eugênio e do Padre Werenfried.

Dom Eugênio Sales, já como Arcebispo de Salvador (1965), Bahia, formou novamente parceria com a ACN e iniciou o projeto GRIMPO (Grupo de Religiosas Inseridas no Meio Popular). Nessa época, a Igreja de Salvador carecia de irmãs que pudessem atender permanentemente as regiões mais pobres da cidade, sobretudo as grandes favelas. Mais de 100 irmãs se propunham a viver entre os mais pobres, no entanto, elas não podiam pedir ajuda a esses pobres que não tinham sequer o pão de cada dia. A ACN passou a ajudar financeiramente essas religiosas e o projeto GRIMPO existe até hoje, salvando vidas e convertendo corações.

Em 1973 a ACN realizou no Brasil a sua maior iniciativa para fazer o Evangelho chegar por meio de rodas: o projeto AMA. A ACN adquiriu do exército suíço 320 caminhões por um preço muito menor. Ela enviou os caminhões para a região amazônica. Graças a esse projeto, os bispos, padres e religiosas puderam visitar e levar ajuda a comunidades que antes estavam totalmente isoladas. O projeto envolveu:

  • 45 carregamentos de caminhões para o porto de Belém do Pará;
  • Treinamento de mecânica para 300 pessoas da região;
  • Treinamento para motoristas em Belém, Manaus, Cuiabá e Boa Vista;
  • Distribuição dos caminhões em 67 centros em 32 dioceses.

 Em 1979, ano internacional da criança, a ACN publica o livro Deus Fala a Seus Filhos, a famosa Bíblia da Criança, como ficou conhecida. Desde então foram impressos mais de 51 milhões de exemplares em mais de 190 línguas para cerca de 130 países. O Brasil é o país que mais recebeu a publicação, despertando também muitas vocações em crianças que hoje se tornaram padres e religiosas. Uma das publicações mais recente foi na língua Macuxi, falada por grande parte dos indígenas de Roraima. Hoje a Bíblia da Criança está disponível também no Youtube.

 

O Início do escritório em 1997

 

Com a decisão da ACN em abrir o escritório brasileiro, era necessário a presença de um assistente eclesiástico, o Padre Evaristo Debiasi. Um sacerdote que se aproximava de todos com um simples olhar e conquistou o coração dos benfeitores da ACN. Padre Evaristo sempre teve amor pelas missões, ajudar os mais pobres e derrubar as injustiças. Todo o seu sacerdócio se baseou nisso e na ACN ele encontrou um eco para o que seu coração sempre quis. Sua dedicação fez com que ele se tornasse a referência do que um assistente eclesiástico deve ser também nos outros escritórios da ACN pelo mundo. Após o adoecimento do Padre Evaristo Debiasi em 2016 e seu falecimento em 2020, o frei carmelitano Rogério Lima, deu continuidade à missão do Padre Evaristo.

O primeiro presidente da ACN Brasil foi o franciscano Frei Hans Stapel, que ainda na sua infância, na Alemanha pós-guerra, teve contato com a ACN ao abrir mão de algumas moedas que estavam reservadas para comprar sorvete. O dinheiro foi entregue com muito amor para que a ACN pudesse ajudar as famílias que sofriam a miséria das consequências da guerra. Em 2020, Frei Hans foi sucedido por Ana Manente, atual presidente da ACN Brasil.

O programa A Igreja pelo Mundo está no ar há 25 anos nas emissoras católicas. Com mais de 1.300 programas veiculados, foi por meio dele que muitos se tornaram benfeitores da ACN. Sempre exibindo matérias de lugares longínquos, como China, Vietnã e Sudão; mas também mostrando a Igreja que sofre aqui no Brasil, como nas grandes favelas, no sertão nordestino e na região amazônica.

O informativo da ACN, Eco do Amor, é publicado no Brasil desde 1997. Primeiramente com 8 edições anuais e, desde 2005, com edições mensais. Seu formato mudou nos últimos anos, trazendo de uma forma mais harmônica o mesmo conteúdo que informa e toca os corações dos benfeitores.

 

Pilares de atuação da ACN

 

Informação – Por meio desse pilar, a ACN está em contato com bispos, padres, religiosas e leigos em mais de 140 países onde realiza seus projetos. Com essa rede de contatos a ACN é capaz de dar voz à Igreja sofredora e perseguida, como quando traz convidados de outros países para dar seu testemunho no Brasil.

Oração – O pilar central da ACN. “É a oração que aumenta a informação para o anúncio e transforma a ação em uma obra de Deus”. Pe. Martin Barta - Assistente Eclesiástico internacional da ACN.

Ação concreta – Aqueles que são informados sobre essa Igreja que sofre e é perseguida se colocam em oração por seus irmãos de fé. O resultado é a ajuda concreta daqueles que não conseguem ficar indiferentes ao sofrimento que existe no mundo. É com esse pilar que se concretizam os milhares de projetos que a ACN apoia pelo mundo.

 

Frutos da ACN

 

Não foram apenas construções, mas o início de novas vidas, como em Bom Jesus da Lapa – sertão da Bahia – quando a capela de Santa Eulália foi construída em uma comunidade que não tinha a menor infraestrutura. Após a construção, também água, luz e asfalto chegaram até lá.

Quando os benfeitores contribuem com a formação de missionários, a vida de cada pessoa que esse missionário encontra é transformada, como no caso dos missionários da Aliança de Misericórdia, em que moradores de rua das grandes cidades recuperaram sua dignidade de filhos de Deus e transformaram suas vidas radicalmente.

Ao sustentar as irmãs com ajuda existencial, a contribuição dos benfeitores salva vidas, como quando permitiu a presença das Filhas da Ressurreição em Utinga, Bahia, que um dia pela manhã encontraram uma bebê recém-nascida abandonada na linha do trem. A menina foi acolhida pelas irmãs, que cuidaram dela como uma filha até encontrarem uma família que lhe desse amor e carinho.

Cada meio de transporte, cada veículo adquirido, significou que mais comunidades foram visitadas, que as irmãs puderam distribuir cestas básicas nos lugares mais longes; que um catequista chegou de bicicleta mesmo no sertão nordestino; que sacerdotes despontaram com seu barco em algum lugar remoto do Amazonas levando a Palavra de Deus e os sacramentos, mas também ensinando cuidados de saúde e alimentação.

Cada gota, cada sacrifício realizado pelos benfeitores, se transforma em um oceano de caridade que muda para melhor a vida de milhares de pessoas. Seja daquelas que não conheciam a Deus como Pai, seja daquelas que tinham fé e apenas esperavam sentir o amor de Deus em um gesto de caridade do próximo.

Enquanto houver uma Igreja perseguida ou sofredora a ACN também existirá. E o que forma o corpo da ACN é justamente a fidelidade e a caridade dos benfeitores, que desde o início acreditaram nessa Obra.

Mensagem do Papa Francisco aos benfeitores da ACN: “Muito obrigado por abrir o coração, pela oração, pela contribuição de vocês. E não se esqueçam de uma palavra: frear. É proibido frear! A misericórdia não se freia. Obrigado!”

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