Papa Leão XIV destaca a paz como dom de Deus e compromisso humano diante dos conflitos do mundo
Em reflexão profunda, o Pontífice alerta para o egoísmo, o nacionalismo extremo e a desumanização como raízes da guerra e convoca à oração, à reconciliação e ao diálogo
A paz é um dos grandes desafios do nosso tempo e, ao mesmo tempo, um dom recebido de Deus e uma responsabilidade confiada à humanidade. Foi o que afirmou o Papa Leão XIV em uma reflexão na qual abordou a realidade dos conflitos atuais e o papel de cada pessoa na construção de um mundo mais justo e reconciliado.
Segundo o Santo Padre, o mundo vive marcado por guerras, hostilidades sangrentas e pelo crescimento de nacionalismos extremos que ferem os direitos dos mais frágeis. Para ele, a paz começa a ser derrotada antes mesmo dos campos de batalha, quando o coração humano se deixa dominar pelo egoísmo, pela ganância e pelos interesses particulares, em detrimento do bem comum.
O Papa ressaltou que a desumanização do outro está na raiz de toda guerra. Ao citar Santo Agostinho, lembrou que o verdadeiro conhecimento do próximo nasce da amizade e do amor, e que recusar-se a ouvir a história do outro é privá-lo de sua dignidade. Nesse sentido, conhecer e amar são caminhos indispensáveis para a construção da paz.
Leão XIV destacou a dupla dimensão da paz: vertical e horizontal. A primeira refere-se à paz como dom de Deus, manifestado no nascimento de Jesus em Belém e confirmado pela ressurreição de Cristo, que oferece aos discípulos uma paz marcada pelas chagas da cruz, fruto de um amor que se deixa tocar pelo sofrimento da humanidade. A segunda dimensão diz respeito à responsabilidade humana, que exige “boa vontade” e compromisso concreto com a vida cotidiana.
O Pontífice lembrou que a paz se constrói em gestos simples e diários, como educar as crianças para o respeito, combater o bullying, vencer o orgulho pessoal e abrir espaço para o outro na família, no trabalho e na convivência social. Destacou ainda a importância do silêncio, da oração e da escuta de Deus, afirmando que Deus jamais abençoa a violência, a exploração ou o abuso da criação.
Diante da sensação de impotência provocada pelos inúmeros conflitos no mundo, o Papa indicou a oração como uma força “desarmada”, capaz de desarmar o ego humano e promover a gratuidade, a sinceridade e o verdadeiro bem comum. Segundo ele, o coração humano é o principal campo de batalha, e somente corações pacificados podem gerar um mundo de paz.
Por fim, Leão XIV recordou a responsabilidade da política e da comunidade internacional na mediação dos conflitos, por meio do diálogo e da diplomacia. Concluiu sua reflexão com uma oração inspirada em Santo Agostinho, pedindo a Deus o dom de uma paz justa, duradoura e sem ocaso, especialmente para os mais esquecidos e para aqueles que mais sofrem.
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