Quando acolher é promover vida: Jovem advogado atua na inserção social de refugiados venezuelanos
Pedro Brígido coordena projeto universitário que promove ensino da língua portuguesa, acesso ao trabalho e integração cultural.
Residente em Pindamonhangaba (SP), Pedro Brígido, 28 anos, é advogado, mestre em Desenvolvimento Humano e pós-graduado em Advocacia Consultiva. Jovem entre três irmãos, teve sua trajetória profundamente marcada por uma experiência de perda ainda cedo: aos 18 anos, perdeu o pai, vítima de complicações reumáticas. A dor vivida, longe de paralisá-lo, tornou-se um ponto de inflexão em sua forma de olhar para o outro, especialmente para quem vive situações de vulnerabilidade.
Entre os diversos trabalhos que realiza em favor de uma sociedade mais justa, Pedro se dedicou com entusiasmo à inserção social de refugiados venezuelanos que chegam diariamente ao Brasil. Seu compromisso aconteceu por meio de um projeto de extensão universitária, no qual atuou como liderança jovem, auxiliando migrantes no aprendizado da língua portuguesa e na introdução ao mercado de trabalho.
Caminhar com quem chega
O público atendido pelo projeto era diverso: crianças, adolescentes, jovens, adultos e idosos. Haviam pessoas com formação superior e outras que não conseguiram concluir a educação básica em seu país de origem. O que as uniam, segundo Pedro, era a vontade de aprender e recomeçar.
“Eles têm uma sede muito grande pelo aprender.”
No acompanhamento cotidiano, o jovem advogado contribuia com a introdução à cultura brasileira, orientações sobre direitos trabalhistas, educação, saúde e exercícios práticos de vocabulário, facilitando a adaptação ao novo país.
“Falamos de leis, de trabalho, de educação, mas também de vida. É um processo de integração que precisa ser humano.”
Para Pedro, mais do que ensinar conteúdos, é fundamental reconhecer a dignidade de cada pessoa, evitando rótulos e estigmas.
“Eles não são refugiados ou imigrantes como identidade. Estão nessa condição. São pessoas de direito, com histórias, culturas e sonhos.”
Acolher também é escutar
A atuação de Pedro e dos demais jovens do projeto passou pela empatia e pela presença concreta. O cotidiano incluia conversas, partilha de café, escuta atenta e abertura para conhecer as culturas dos que chegam.
“Muitas dessas pessoas não tinham alguém para conversar, para sorrir junto. Isso também é promover integração.”
Mesmo reconhecendo que sua formação principal é o Direito, Pedro entende que o amor e a compreensão são fundamentais em todo o processo.
“Ensino aquilo que fui aprendendo ao longo da vida. Venho de família simples e tive defasagens no ensino básico. Se cheguei até aqui, posso ajudar outros a entenderem onde estão e onde podem chegar.”
Motivação que nasce da própria história
Ao falar sobre o que o motivou a realizar a ação, Pedro retornou à própria experiência de vida e às ausências que sentiu em momentos difíceis.
“O que me motiva é ser a mão que ninguém estendeu para mim em alguns momentos.”
Recordou, com emoção, uma orientação recebida do pai antes de sua morte:
“Ele me disse: ‘Quando alguém precisar de você, esteja lá’. Levei isso para a vida.”
Essa memória se transformou em compromisso diário com quem enfrenta perdas, deslocamentos forçados e recomeços incertos.
Limites, cansaços e humanidade
Pedro reconhece os limites de sua atuação e a complexidade das realidades que encontrava. Nem todos os problemas podem ser resolvidos de imediato.
“Há situações que não conseguimos resolver agora. O que faço é olhar para elas com outros olhos e ajudar as pessoas a entenderem o que é possível fazer hoje.”
Ele também admitiu o cansaço e a necessidade de pedir ajuda.
“Chega uma hora em que estamos cansados. Precisamos de apoio. O pouco que fazemos pode ser muito na vida de alguém.”
Entre histórias marcantes, Pedro recordou antigos alunos que conseguiram se inserir no mercado de trabalho e também pessoas que, mesmo acolhidas, tiveram trajetórias interrompidas de forma dolorosa, experiências que reforçam nele o desejo de continuar.
Crescer junto
Para Pedro Brígido, o acompanhamento dos refugiados não é apenas um serviço prestado, mas um caminho de crescimento pessoal e humano.
“Vou me tornando mais humano a cada encontro. Escutar o grito do outro, mesmo quando ele está em silêncio, é essencial.”
No cotidiano silencioso do interior paulista, Pedro segue construindo pontes, acreditando que acolher, integrar e caminhar junto são gestos concretos capazes de transformar vidas — inclusive a própria.
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