Novas Diretrizes da CNBB propõem reconhecer os pobres como lugar onde Deus continua a falar
Documento que orientará a ação evangelizadora da Igreja até 2032 reforça a opção preferencial pelos pobres e convida comunidades a habitarem as periferias
As novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE) 2026-2032 convidam as comunidades católicas a aprofundarem sua presença junto às populações mais vulneráveis e a reconhecerem a pobreza como um espaço privilegiado de encontro com Deus.
Aprovado durante a 62ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, realizada em abril, em Santuário Nacional de Aparecida, o documento foi publicado neste mês pelas Edições CNBB e deverá orientar a ação evangelizadora das dioceses, paróquias e comunidades brasileiras pelos próximos seis anos.
As diretrizes apresentam como objetivo geral evangelizar "como Igreja sinodal, sustentada pela Palavra e pelos Sacramentos, em comunidades de discípulos missionários, fiel à evangélica opção preferencial pelos pobres, a caminho da plenitude do Reino".
Entre os eixos prioritários da missão está o chamado para que a Igreja esteja presente onde a vida é mais ameaçada. O texto afirma que as comunidades devem ser incentivadas a "habitar a periferia", vivendo a missão junto às pessoas que sofrem e cultivando uma espiritualidade capaz de perceber a pobreza não apenas como um desafio social, mas como um lugar onde Deus continua a interpelar e transformar seu povo.
No capítulo dedicado ao serviço à vida plena para todos, as diretrizes recordam que "o Senhor se une, com particular ternura, ao destino dos pobres e, neles, manifesta a sua presença histórica". Segundo o documento, a opção preferencial pelos pobres não nasce da filantropia ou de posicionamentos ideológicos, mas da própria fé em Jesus Cristo.
"As novas diretrizes recordam que essa opção deve orientar toda a vida da Igreja, ultrapassando iniciativas meramente assistenciais e conduzindo a uma permanente conversão dos corações", afirma o texto.
A expressão "opção preferencial pelos pobres" ganhou força no magistério latino-americano durante a III Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano, realizada em Puebla, no México, em 1979, e permanece como um dos elementos centrais da identidade pastoral da Igreja no continente.
Para o arcebispo de Santa Maria e presidente da comissão responsável pela elaboração das diretrizes, Dom Leomar Antônio Brustolin, Deus continua a falar por meio das situações de sofrimento presentes na sociedade.
"A fome, a violência, a exclusão, o sofrimento dos povos originários, dos jovens e das famílias não são apenas problemas sociais, mas também apelos de Deus", escreveu o arcebispo em artigo publicado pela CNBB.
Escuta, discernimento e missão
Apresentadas oficialmente em Brasília no último dia 17, as novas diretrizes são resultado de um processo de escuta iniciado há quase quatro anos. Segundo Dom Leomar, o texto passou por mais de vinte versões e recebeu contribuições de bispos, especialistas, organismos da CNBB, dioceses e diversas expressões do povo de Deus.
O arcebispo afirmou que os bispos optaram por aguardar a conclusão do Sínodo sobre a Sinodalidade para incorporar suas contribuições ao documento.
"Escuta, diálogo, discernimento e conversação no Espírito envolveram bispos, organismos do povo de Deus, assessores da CNBB, Igrejas particulares e muitas expressões do povo de Deus", explicou.
Para Dom Leomar, as novas diretrizes podem ser sintetizadas em duas palavras: conversão e missão.
"Não dá mais para fazer o que sempre fizemos. É preciso manter tudo aquilo que está bom, mas também rever estruturas que não ajudam mais a evangelizar", afirmou.
Ao concluir a apresentação, o arcebispo destacou que o documento convida a Igreja no Brasil a tornar-se cada vez mais sinodal, missionária e próxima das pessoas, buscando uma conversão pastoral que permita às comunidades serem sinais do Reino de Deus no tempo presente.
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