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Papa Leão XIV afirma que a missão é a razão de ser da Igreja e pede apoio dos cardeais

Durante abertura do Consistório extraordinário, pontífice destacou a sinodalidade, o discernimento e a responsabilidade compartilhada na condução da Igreja

Há 5 horas - por da redação com Vatican News
O Santo Padre faz seu discurso   (@Vatican Media)
O Santo Padre faz seu discurso (@Vatican Media)

O Papa Leão XIV afirmou nesta sexta-feira, 26 de junho, que a missão não é apenas uma das atividades da Igreja, mas a sua própria razão de existir. A declaração foi feita durante o discurso de abertura do Consistório extraordinário, realizado na Sala Paulo VI, após a celebração da missa que marcou o início dos trabalhos.

Ao dirigir-se aos cardeais, o Papa ressaltou que a Igreja é chamada a discernir os sinais dos tempos e a testemunhar o Evangelho em meio às complexidades do mundo atual.

"Não somos guardiões de interesses particulares, mas discípulos e testemunhas do Reino de Deus, chamados a ser, em Cristo, fermento de fraternidade universal", afirmou.

Quatro temas para o discernimento da Igreja

Leão XIV apresentou os quatro eixos que orientarão as reflexões do Consistório. O primeiro deles trata da necessidade de contemplar a realidade em que a Igreja está inserida antes de definir estratégias pastorais.

Segundo o Papa, é preciso aprender a olhar o mundo com os olhos da fé e deixar-se interpelar pela escuta das pessoas e das comunidades.

O segundo tema aborda a relação entre a cultura do poder e a civilização do amor. O pontífice recordou que conflitos, desigualdades e divisões sociais desafiam permanentemente a missão da Igreja.

No terceiro eixo, Leão XIV retomou aspectos da encíclica Magnifica Humanitas, publicada recentemente, para refletir sobre a contribuição da Igreja na construção do bem comum.

O Papa destacou que a Doutrina Social da Igreja recorda que o bem comum não surge espontaneamente, mas depende de responsabilidades compartilhadas e de um estilo sinodal de atuação.

Já o quarto tema está relacionado à implementação do processo sinodal. Para o pontífice, a sinodalidade não pode ser reduzida a procedimentos ou métodos organizativos.

"Não se trata de uma diminuição da autoridade. Pelo contrário, ajuda a compreender mais profundamente o seu significado, que existe para guardar a comunhão, favorecer a participação de todos e orientar o caminho comum da Igreja", explicou.

"Preciso sentir-me apoiado por vocês"

Ao longo do discurso, Leão XIV dirigiu um pedido direto aos cardeais, afirmando que o ministério petrino não pode ser exercido de maneira isolada.

"Preciso do apoio de vocês: forte, explícito e público. Preciso sentir-me apoiado por vocês como irmãos", disse.

O Papa pediu ainda que os cardeais o ajudem a reconhecer os sinais de esperança presentes nas Igrejas locais e também a enfrentar dificuldades, resistências e incompreensões que possam surgir ao longo do caminho.

Para ele, a franqueza e a liberdade nas relações entre os membros da Igreja são expressões concretas de comunhão.

"Um conselho sincero é sempre um ato de comunhão", afirmou.

A comunhão como caminho permanente

Na conclusão de sua reflexão, Leão XIV observou que a comunhão eclesial não é uma conquista definitiva, mas um processo que exige conversão cotidiana.

Segundo o Papa, essa comunhão se constrói por meio da oração, da confiança mútua e da disposição para escutar uns aos outros.

"A comunhão nunca é um resultado conquistado de uma vez por todas: continua sendo uma conversão diária", concluiu.

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