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"A beleza da Pascom é fazer as pessoas se encontrarem", afirma prefeito Ruffini

Prefeito do Dicastério para a Comunicação abre o 9º Encontro Nacional da Pascom e convida a Igreja a enfrentar os desafios da inteligência artificial, da desinformação e da cultura digital com espírito missionário

Há 3 horas - por redação com Vatican News
Paolo Ruffini, prefeito do Dicastério para a Comunicação/ Foto: divulgação PASCOM BRASIL
Paolo Ruffini, prefeito do Dicastério para a Comunicação/ Foto: divulgação PASCOM BRASIL

O prefeito do Dicastério para a Comunicação, Paolo Ruffini, participou da abertura do 9º Encontro Nacional da Pastoral da Comunicação (Pascom), realizado no Santuário Nacional de Aparecida (SP). Reunindo cerca de 1.500 comunicadores dos 19 regionais da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, o encontro tem como tema "Evangelização em movimento: a dimensão pastoral da comunicação".

Em sua conferência, Ruffini destacou que a comunicação da Igreja nasce da experiência do discipulado missionário e deve estar sempre a serviço da comunhão, da verdade e do anúncio do Evangelho.

"O que comunicamos tem uma chave que nos transcende. E essa chave é o amor", afirmou.

Ao refletir sobre a missão dos comunicadores católicos, Ruffini alertou para o risco de reduzir a evangelização às lógicas do mercado ou do marketing.

Segundo ele, a comunicação da Igreja não pode ser orientada pela busca de audiência ou pelo desejo de autopromoção, mas pela gratuidade do Evangelho e pelo encontro com as pessoas.

"Jamais podemos transformar o Evangelho em um produto a ser vendido, a Igreja em uma empresa, os fiéis em clientes ou Jesus em uma marca."

Para o prefeito do Dicastério, comunicar é construir relações autênticas e fortalecer uma rede fundada na fraternidade, e não em métricas ou interesses comerciais.

Os desafios da cultura digital

Grande parte da conferência foi dedicada aos impactos da inteligência artificial, das redes sociais e da desinformação sobre a vida das pessoas.

Ruffini recordou o documento do Dicastério para a Comunicação, "Rumo a uma plena presença", que alerta para os riscos de uma cultura digital baseada na polarização, na manipulação de dados e na perda da capacidade crítica.

Segundo ele, as plataformas digitais não são neutras.

"Estamos pagando com minutos da nossa atenção e bytes dos nossos dados", observou, ao explicar como os ambientes digitais influenciam comportamentos e relações.

O prefeito também chamou atenção para o crescimento das fake news e para a dificuldade crescente de distinguir informações verdadeiras em um ambiente marcado pela velocidade e pela superficialidade.

Inteligência artificial exige discernimento

Ao abordar a inteligência artificial, Ruffini retomou reflexões presentes na encíclica Magnifica humanitas, do Papa Leão XIV, afirmando que a Igreja precisa distinguir claramente a comunicação produzida por máquinas daquela que nasce da experiência humana.

Segundo ele, o desenvolvimento tecnológico exige responsabilidade ética e não pode ser entregue exclusivamente aos interesses econômicos das grandes empresas.

"O mundo católico tem o dever de pensar também nisso", afirmou.

Como proposta concreta, sugeriu ampliar os processos de formação dos comunicadores e até incluir conteúdos sobre comunicação e cultura digital na pastoral juvenil, preparando as novas gerações para um uso consciente das tecnologias.

A Pascom como espaço de encontro

Para Ruffini, a maior riqueza da Pastoral da Comunicação está na capacidade de aproximar pessoas e fortalecer vínculos.

"Esta é a beleza da Pascom: trazer as pessoas de volta a se encontrarem."

Ao concluir sua conferência, convidou os comunicadores a construírem uma comunicação capaz de superar a polarização, favorecer o diálogo e oferecer esperança em um mundo marcado por profundas transformações culturais.

Segundo ele, a missão da Igreja é desenvolver uma comunicação baseada na verdade, na transparência das fontes, na escuta e na comunhão, formando uma rede que não aprisiona as pessoas, mas as liberta.

"Hoje, mais do que nunca, é tempo de construir comunhão através de todos os instrumentos da comunicação", concluiu Ruffini.

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