Cookies e Política de Privacidade
A SIGNIS Agência de Notícias utiliza cookies para personalizar conteúdos e melhorar a sua experiência no site. Ao continuar navegando, você concorda com a nossa Política de Privacidade.

Jesuítas iniciam Semana Inaciana com reflexão sobre Magnifica Humanitas

Encontro promovido pelo Centro Cultural de Brasília reuniu especialistas para discutir a primeira encíclica do Papa Leão XIV e os desafios da inteligência artificial à luz da dignidade da pessoa humana

Há 3 horas - por Ronnaldh Oliveira, de Brasília/DF
Parte do público presente na programação/Foto: Isis Monteiro
Parte do público presente na programação/Foto: Isis Monteiro

A primeira encíclica do Papa Leão XIV abriu, nesta semana, o debate que marca o início da Semana Inaciana na capital federal. Promovida pelo Centro Cultural de Brasília (CCB), obra apostólica da Companhia de Jesus, a roda de conversa reuniu pesquisadores, religiosos e representantes da comunidade para aprofundar os desafios éticos da inteligência artificial e refletir sobre a salvaguarda da pessoa humana, tema central da Magnifica Humanitas.

Celebrada anualmente,  a Semana Inaciana recorda a memória de Santo Inácio de Loyola, fundador da Companhia de Jesus, e mobiliza obras jesuíticas em diferentes países para refletir sobre temas relacionados à espiritualidade inaciana e aos desafios do mundo contemporâneo.

Em Brasília, a programação foi aberta com um debate sobre a primeira encíclica de Leão XIV, publicada em um contexto de rápidas transformações tecnológicas e dedicada à relação entre desenvolvimento científico, inteligência artificial e dignidade humana. Participaram da mesa o pesquisador Guilherme Delgado, o professor Venício Lima e o jesuíta Pe. Paulo Veríssimo, SJ. Ao longo de quase duas horas de encontro, as intervenções abordaram aspectos bíblicos, antropológicos, filosóficos e comunicacionais presentes no documento.

Abrindo a roda de conversa, Guilherme Delgado apresentou a oposição entre a Torre de Babel e a reconstrução de Jerusalém como uma das chaves de leitura da encíclica. Segundo ele, Babel representa um projeto de concentração de poder e homogeneização, enquanto Jerusalém simboliza a construção coletiva, a corresponsabilidade e a valorização das diferenças. Ao relacionar essa reflexão ao cenário tecnológico atual, destacou que a comunicação permanece condição para a construção da verdade.

"Sem a interação das pessoas, você não consegue encontrar a verdade."

Para Delgado, o desenvolvimento tecnológico exige recuperar práticas capazes de fortalecer o diálogo social. Entre os caminhos propostos, apontou a necessidade de "desarmar as palavras", promover a justiça, ouvir as vítimas, preservar o idealismo e revitalizar o diálogo como fundamentos daquilo que chamou de "civilização do amor".

Na segunda exposição, Venício Lima situou a Magnifica Humanitas em continuidade ao magistério do Papa Francisco, lembrando que o pontífice argentino já alertava para os impactos das tecnologias digitais sobre a comunicação e a vida social.

Conferencistas e mediador/ foto: Isis Monteiro 

Ao comentar a imagem bíblica da Torre de Babel, observou que a encíclica questiona a concentração do poder tecnológico nas mãos de poucas empresas e propõe uma reflexão sobre seus efeitos na democracia, na cultura e na convivência humana.

"O que era portal dos deuses se torna confusão gerada pela impossibilidade de comunicação."

Para o pesquisador, a pergunta formulada por Leão XIV atravessa todo o documento: a inteligência artificial contribui para tornar a vida humana mais digna? Encerrando o encontro, o Pe. Paulo Veríssimo, SJ, chamou atenção para o núcleo da encíclica. Segundo ele, embora a inteligência artificial seja um dos temas do documento, seu foco principal é a defesa da pessoa humana.

"Estão dizendo que o Papa Leão escreveu uma encíclica sobre inteligência artificial. Ele não escreveu sobre isso."

Ao longo de sua exposição, o jesuíta afirmou que nenhuma tecnologia é neutra, pois toda inovação incorpora valores, interesses e projetos de sociedade. Para ele, a resposta da Igreja não deve ser nem a rejeição das novas tecnologias nem a sua aceitação acrítica, mas o discernimento.

"A busca é por uma atitude serena e livre, capaz de servir."

Após as exposições, o público participou do debate com perguntas sobre inteligência artificial, educação, comunicação, plataformas digitais, ética e evangelização. As intervenções ampliaram a discussão iniciada pelos conferencistas e reforçaram o caráter dialógico do encontro.

Comentários

  • Esta notícia ainda não tem comentários. Seja o primeiro!

Mais lidas