Leão XIV aos religiosos dos Estados Unidos: vida comunitária exige amor, serviço e partilha
Em mensagem à assembleia dos superiores maiores, o Papa afirma que a vida fraterna é lugar de santificação e recorda que a comunhão se fortalece na partilha dos bens, da missão e da experiência
O Papa Leão XIV enviou uma mensagem aos participantes da assembleia da Conferência dos Superiores Maiores das Ordens Religiosas Masculinas dos Estados Unidos (CMSM), reunidos em Phoenix, no estado do Arizona. Na carta, o Pontífice destacou que a vida comunitária não é apenas uma forma de organização da vida religiosa, mas um caminho de santificação, testemunho e renovação da missão da Igreja.
A mensagem foi dirigida ao diretor-executivo da Conferência, irmão Frank Donio, e lida pelo núncio apostólico nos Estados Unidos, dom Gabriele Giordano Caccia, durante o encontro que reúne representantes de mais de 200 congregações religiosas masculinas do país.
Neste ano, a assembleia teve como tema "Unidos em Cristo: a vida comunitária hoje", propondo uma reflexão sobre os desafios e as oportunidades da vida fraterna em um contexto marcado por rápidas transformações culturais, sociais e eclesiais.
Setenta anos de serviço à vida consagrada
No início da mensagem, Leão XIV recordou os 70 anos da CMSM, organização criada a pedido do Papa Pio XII e oficialmente reconhecida pela Santa Sé para promover a comunhão entre os superiores maiores das ordens religiosas masculinas nos Estados Unidos.
Ao felicitar a Conferência pelo jubileu, o Papa agradeceu pelo trabalho desenvolvido ao longo dessas décadas em favor da vida consagrada e reconheceu sua contribuição para fortalecer o testemunho público dos religiosos.
Segundo o Pontífice, ao promover espaços de diálogo, formação e apoio às lideranças, a organização tem ajudado homens consagrados a viverem com fidelidade sua vocação e seu compromisso com o anúncio do Evangelho.
A comunidade como lugar de santificação
Refletindo sobre o tema da assembleia, Leão XIV convidou os religiosos a redescobrirem a vida comunitária como um espaço privilegiado de crescimento espiritual.
Para o Papa, a convivência fraterna não deve ser compreendida apenas como uma exigência prática da vida religiosa, mas como um verdadeiro lugar de encontro com Deus, onde cada membro é chamado a amadurecer na fé por meio da convivência, do serviço e da missão compartilhada.
"A vida comunitária", escreveu o Pontífice, deve ser vista "como um lugar de santificação e uma fonte de inspiração, testemunho e força em seu apostolado".
Partilhar tudo em comum
Na parte final da carta, Leão XIV retomou os ensinamentos de São João Paulo II presentes na Exortação Apostólica Vita Consecrata (1996), destacando que a vida fraterna exige disponibilidade para servir, capacidade de acolher e disposição permanente para o perdão.
O Papa afirmou que é justamente na comunhão vivida diariamente que se manifesta a presença do Ressuscitado.
"É precisamente através da partilha de tudo em comum — incluindo bens materiais, experiências espirituais, ideais apostólicos e serviço caritativo — que a presença mística do Senhor ressuscitado se manifesta entre vocês."
Para Leão XIV, essa partilha vai além da administração dos bens materiais. Ela envolve colocar em comum a própria experiência de Deus, os dons pessoais, os projetos apostólicos e o serviço aos irmãos, tornando a comunidade um verdadeiro sinal do Reino.
Um testemunho de comunhão para a Igreja e para o mundo
Ao concluir a mensagem, o Papa expressou o desejo de que os dias de oração, diálogo e discernimento vividos durante a assembleia fortaleçam a comunhão entre os diferentes institutos religiosos.
Segundo ele, essa unidade torna-se um testemunho eloquente para a Igreja e para a sociedade, especialmente em um tempo marcado por divisões e individualismo.
Leão XIV manifestou esperança de que os superiores maiores possam continuar oferecendo um testemunho "unido, alegre e autêntico de Cristo" nas diversas comunidades e apostolados onde atuam.
Ao reforçar a importância da vida comunitária, o Pontífice recorda que a missão evangelizadora nasce da comunhão. Antes de anunciar o Evangelho com palavras, os religiosos são chamados a testemunhá-lo pela forma como vivem, partilham e constroem fraternidade no cotidiano.
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