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Romaria dos Mártires da Caminhada reunirá milhares de peregrinos; Centro MAGIS Burnier integra a caminhada

Em sua 8ª edição, a Romaria recordará os 50 anos do martírio de João Bosco Burnier, símbolo da defesa da vida, da dignidade humana e dos direitos dos mais vulneráveis.

Há 4 horas - por De Ribeirão Cascalheira, Ronnaldh Oliveira
Peregrinos do Centro MAGIS Burnier / foto: Erick Silva
Peregrinos do Centro MAGIS Burnier / foto: Erick Silva

A memória cristã não olha para o passado com nostalgia. Ela torna presente aquilo que continua a interpelar a Igreja e a sociedade. É com esse espírito que milhares de peregrinos se preparam para participar da 8ª Romaria dos Mártires da Caminhada Latino-Americana, que será realizada nos dias 18 e 19 de julho, no Santuário dos Mártires da Caminhada, em Ribeirão Cascalheira (MT).

Realizada a cada cinco anos, a Romaria reúne bispos, padres, religiosos, religiosas, leigos, leigas, povos indígenas, comunidades tradicionais, movimentos populares e peregrinos de diversas regiões do Brasil e da América Latina para celebrar a memória daqueles que deram a própria vida na defesa do Evangelho, da dignidade humana e dos direitos dos mais pobres.

Neste ano, a peregrinação possui um significado ainda mais profundo ao recordar os 50 anos do martírio do jesuíta padre João Bosco Penido Burnier, SJ, morto em 11 de outubro de 1976 após intervir em defesa de duas mulheres que eram torturadas na delegacia de Ribeirão Cascalheira. Sua morte tornou-se um dos mais fortes testemunhos da opção evangélica pelos pobres e da defesa incondicional da vida durante o período da ditadura militar no Brasil.

A celebração também mantém viva a memória de outras testemunhas profundamente ligadas à história da região, como o missionário salesiano padre Rodolfo Lunkenbein e o líder indígena Simão Bororo, assassinados na defesa dos direitos do povo Bororo. Seus testemunhos permanecem como expressão de uma Igreja que caminha ao lado dos povos originários, da justiça e da paz.

Mais do que recordar nomes e acontecimentos, a Romaria propõe uma experiência de espiritualidade encarnada. Caminhar pelos lugares marcados pelo testemunho dos mártires significa deixar-se interpelar por suas escolhas e perguntar quais são, hoje, os desafios que continuam exigindo dos cristãos coragem, fidelidade ao Evangelho e compromisso com a construção do Reino de Deus.

Entre as caravanas que seguirão para Ribeirão Cascalheira está a do Centro MAGIS Burnier, obra apostólica da Companhia de Jesus dedicada ao acompanhamento das juventudes no Centro Oeste. Inspirado pelo legado do padre João Bosco Burnier, o Centro levará 13 peregrinos, entre jovens, jesuítas, leigos e leigas, para viver essa experiência de oração, formação, convivência e missão.

Para o padre Silas Silva, Sj, peregrino da Amazônia que compõe a caravana, a ida à Romaria é a realização de um sonho: "esperei mais de 30 anos para fazer essa experiência. Esse ano deu certo!". O sacerdote também partilhou da relevância da participação jesuíta na edição de 2026. "É muito relevante estarmos como jesuítas nessa romaria em que se faz memória dos 50 anos  de martírio do companheiro padre Burnier que até o fim foi fiel ao Reino", destacou o padre amazônida. 

Com o tema “Testemunhas da Esperança”, em sintonia com o Jubileu vivido pela Igreja, a 8ª Romaria dos Mártires da Caminhada reafirma que a memória dos mártires continua sendo fonte de esperança para os desafios do tempo presente. Recordá-los é reconhecer que o Reino de Deus continua sendo construído sempre que homens e mulheres escolhem permanecer ao lado da vida, da justiça, da paz e da dignidade dos povos.

Durante os próximos dias, a Agência SIGNIS de Notícias acompanhará a peregrinação do Centro MAGIS Burnier com reportagens, entrevistas e testemunhos diretamente de Ribeirão Cascalheira, apresentando aos leitores não apenas os acontecimentos da Romaria, mas também a espiritualidade, a mística e a força missionária que continuam fazendo da memória dos mártires um chamado para a Igreja de hoje.

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