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UNICEF alerta que crianças usam I.A três vezes a mais do que adultos

Levantamento mostra que adolescentes utilizam ferramentas de IA em ritmo superior ao dos adultos e reforça necessidade de colocar os direitos da infância no centro da governança tecnológica

Há 2 horas - por redação com UNICEF
Expor crianças ao uso sem controle da inteligência artificial pode ser prejudicial, afirma UNICEF / Foto: Vlad Deep por Unsplash
Expor crianças ao uso sem controle da inteligência artificial pode ser prejudicial, afirma UNICEF / Foto: Vlad Deep por Unsplash

O uso da inteligência artificial entre crianças e adolescentes cresce em ritmo acelerado e já supera, em muitos casos, o observado entre adultos. É o que aponta um levantamento divulgado pelo UNICEF, que analisou o comportamento de jovens em dez países e alerta para a necessidade de fortalecer mecanismos de proteção no ambiente digital.

Segundo o estudo, cerca de 20 milhões de crianças já utilizaram ferramentas de inteligência artificial, fazendo uso da tecnologia em uma frequência mais de três vezes superior à registrada entre adultos.

Os dados foram divulgados às vésperas do primeiro Diálogo Global sobre Governança da Inteligência Artificial, no qual o UNICEF defende que os direitos da infância ocupem posição central nas políticas públicas e na regulamentação dessas tecnologias.

IA já faz parte da rotina de milhões de crianças

A pesquisa revela que a inteligência artificial já integra o cotidiano de crianças e adolescentes para diferentes finalidades.

Mais de 2 milhões de participantes, aproximadamente uma em cada dez crianças entrevistadas, afirmaram recorrer à IA para buscar aconselhamento sobre preocupações pessoais. Outros 13 milhões disseram utilizar essas ferramentas para estudar, realizar pesquisas e desenvolver atividades escolares.

Para o UNICEF, a velocidade de adoção da tecnologia tem sido maior do que a capacidade de criação de mecanismos de proteção específicos para esse público.

"A inteligência artificial já faz parte do cotidiano e está moldando a infância em todo o mundo, tanto de forma positiva quanto negativa", afirma a organização.

Oportunidades e riscos

O relatório reconhece que a inteligência artificial pode ampliar oportunidades de aprendizagem, criatividade e acesso ao conhecimento. No entanto, destaca que ainda existem poucas evidências científicas sobre seus efeitos no desenvolvimento cognitivo, emocional e social das crianças.

Segundo o UNICEF, uma geração inteira está crescendo em um cenário de rápida transformação tecnológica cujos impactos de longo prazo ainda são pouco conhecidos.

Preocupações manifestadas pelas próprias crianças

O levantamento mostra que os próprios adolescentes demonstram preocupação com o uso inadequado da inteligência artificial.

Entre os entrevistados, um terço afirmou temer que a tecnologia seja utilizada para golpes, fraudes ou disseminação de desinformação.

Além disso, uma em cada quatro crianças manifestou preocupação com a possibilidade de manipulação de imagens e vídeos por meio de deepfakes, especialmente na produção de conteúdos sexualmente explícitos.

Para o UNICEF, essas respostas indicam que crianças e adolescentes compreendem parte dos riscos associados à inteligência artificial e esperam maior proteção por parte de governos, empresas e plataformas digitais.

Governança com foco na infância

A organização alerta que crianças estão expostas aos sistemas de inteligência artificial desde o desenvolvimento das plataformas até o tratamento de seus dados pessoais, mas possuem pouca capacidade de controlar ou contestar essa exposição.

Segundo o relatório, muitos sistemas chegam ao público infantil sem mecanismos adequados de segurança, o que evidencia a necessidade de fortalecer normas de proteção.

Entre as prioridades apontadas pelo UNICEF estão o investimento em pesquisas sobre os impactos da IA na infância, o aprimoramento da legislação para combater abusos e exploração facilitados pela tecnologia, o desenvolvimento de sistemas mais seguros e transparentes, a promoção da alfabetização em inteligência artificial para crianças e famílias e a ampliação da infraestrutura digital para reduzir desigualdades de acesso.

Pesquisa ouviu crianças e responsáveis

O levantamento foi realizado em dez países: Armênia, Brasil, Colômbia, República Dominicana, Jordânia, México, Montenegro, Macedônia do Norte, Paquistão e Sérvia.

Em cada nação foram entrevistadas aproximadamente mil crianças entre 12 e 17 anos com acesso à internet, além de mil pais ou responsáveis, em pesquisa conduzida pelo UNICEF em parceria com o instituto IPSOS.

Ao divulgar os resultados, a organização reforçou que as decisões tomadas hoje sobre a governança da inteligência artificial terão impacto direto na segurança, na privacidade, no bem-estar e nas oportunidades das futuras gerações.

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