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Leão XIV: Igreja não pode ser indiferente ao que acontece no mundo

Ao iniciar catequeses sobre a Gaudium et Spes, Papa afirma que cristãos não podem ser “espectadores desinteressados” e alerta para desigualdades, crise ambiental e a ilusão de construir a paz pela guerra

Há 17 horas - por redação com Vatican News
Papa se entretém com os fiéis   (@VATICAN MEDIA)
Papa se entretém com os fiéis (@VATICAN MEDIA)

O Papa Leão XIV afirmou nesta quarta-feira, 2, que a Igreja não pode permanecer passiva ou indiferente diante dos acontecimentos do mundo e do sofrimento das pessoas. A reflexão foi feita durante a Audiência Geral, na Praça São Pedro, diante de cerca de 15 mil fiéis.

Depois de dedicar suas catequeses à Constituição Sacrosanctum Concilium, o Pontífice iniciou o aprofundamento de outro documento do Concílio Vaticano II: a Constituição Pastoral Gaudium et Spes, dedicada à relação da Igreja com o mundo contemporâneo.

Leão XIV recordou a abertura do documento conciliar, segundo a qual “as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens de hoje”, especialmente dos pobres e daqueles que sofrem, também pertencem aos discípulos de Cristo.

“Essa partilha com a humanidade é o caminho que Cristo pede à Igreja”, afirmou.

“Não é possível permanecer como espectadores”

Para o Papa, assumir as alegrias e os sofrimentos da humanidade exige uma Igreja capaz de sair da passividade e de se deixar interpelar pelas transformações sociais.

“Não é possível permanecer como espectadores desinteressados; pelo contrário, é preciso escutar com o coração, deixar-se interpelar, envolver-se.”

Leão XIV destacou que essa atitude deve se manifestar particularmente na proximidade com aqueles que enfrentam injustiça, discriminação e violência.

A partir dessa relação com a realidade, explicou, a Igreja também é chamada a aprofundar sua compreensão dos acontecimentos e da própria Revelação.

O Pontífice retomou, nesse sentido, uma das expressões centrais da Gaudium et Spes: o dever de “investigar a todo o momento os sinais dos tempos, e interpretá-los à luz do Evangelho”.

Papa aponta contradições do mundo contemporâneo

Segundo Leão XIV, o documento conciliar permanece atual porque convida a Igreja a um processo permanente de conversão e ao discernimento das contradições presentes na sociedade.

Entre elas, o Papa citou o avanço científico e tecnológico, que cria novas possibilidades, mas cujos benefícios nem sempre alcançam todas as pessoas.

Também chamou atenção para o crescimento das riquezas acompanhado por uma distribuição desigual dos recursos.

A crise ambiental foi outro exemplo apresentado pelo Pontífice. Diante de ações que ameaçam o futuro do planeta, Leão XIV criticou a dificuldade de abandonar padrões de consumo marcados pelo egoísmo.

O Papa ainda advertiu para outra contradição presente no cenário internacional: “a ilusão de que a guerra é um caminho eficaz para construir a paz”.

Igreja é chamada a servir o ser humano

Diante das rápidas transformações e dos desequilíbrios que delas podem surgir, Leão XIV afirmou que a missão da Igreja passa pela escuta das questões mais profundas da humanidade.

Isso significa, segundo ele, aproximar-se das pessoas, acolher seus anseios e apresentar Cristo como “a chave, o centro e o fim de toda a história humana”, conforme afirma a Gaudium et Spes.

A relação da Igreja com o mundo, portanto, não deve ser marcada pelo isolamento ou pela simples observação dos acontecimentos, mas pelo serviço e pelo compromisso com a dignidade humana.

Ao concluir a catequese, Leão XIV retomou as duas palavras latinas que dão nome ao documento conciliar e pediu que elas também expressem a presença cristã na sociedade contemporânea.

“Que a alegria e a esperança, gaudium et spes, sejam as características distintivas de uma Igreja que anuncia e testemunha o Evangelho, aproximando-se das mulheres e dos homens do nosso tempo.”

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