Cookies e Política de Privacidade
A SIGNIS Agência de Notícias utiliza cookies para personalizar conteúdos e melhorar a sua experiência no site. Ao continuar navegando, você concorda com a nossa Política de Privacidade.

Leão XIV: o seminário não deve ser subestimado, pois faz parte da missão

Ao receber seminaristas do sul da Itália, Papa afirma que formação exige tempo para permanecer com Cristo, discernir a vocação e aprender a viver a fraternidade antes de partir em missão

Há 12 horas - por Redação com Vatican News
O Papa Leão XIV ao encontrar os seminaristas na Sala Clementina, no Vaticano   (@Vatican Media)
O Papa Leão XIV ao encontrar os seminaristas na Sala Clementina, no Vaticano (@Vatican Media)

O Papa Leão XIV defendeu nesta quinta-feira, 3 de setembro, a importância do seminário como tempo necessário para aprofundar a relação com Deus, discernir a verdade da própria vocação e preparar-se para a missão. Em uma sociedade marcada pela pressa, o Pontífice alertou contra a tentação de considerar esse período uma etapa ultrapassada ou um adiamento do trabalho pastoral.

“O seminário não é um adiamento da missão, mas uma condição para a mesma. Não se deve subestimá-lo”, afirmou.

Leão XIV recebeu cerca de 150 pessoas na Sala Clementina, no Vaticano, entre seminaristas, formadores e familiares ligados ao Pontifício Seminário Regional Pugliese “Pio XI”, de Molfetta, e ao Seminário Episcopal de Aversa, ambos no sul da Itália.

A reflexão do Papa foi construída a partir do Evangelho de Marcos (Mc 3,13-14), no qual Jesus sobe ao monte, chama aqueles que deseja, constitui os Doze para permanecerem com Ele e, posteriormente, os envia a pregar.

Para Leão XIV, esses movimentos ajudam a compreender o caminho vocacional: ser chamado, subir o monte, permanecer com Cristo e, depois, descer para a missão.

“O coração do seminário está aqui”

Ao comentar o chamado dos apóstolos, o Papa ressaltou primeiramente a liberdade da iniciativa de Deus.

“Não há um concurso, não há uma lista de classificação, nem está escrito que escolheu os melhores: escolheu aqueles que queria”, afirmou.

Para Leão XIV, essa perspectiva é especialmente importante em uma sociedade que valoriza intensamente a autorrealização. A vocação cristã, ao contrário, começa pela escuta de uma iniciativa que não nasce exclusivamente dos projetos individuais.

Depois de ouvir o chamado, porém, é necessário responder. O Papa comparou esse processo à subida de uma montanha, marcada também pelo esforço e pela impossibilidade de enxergar imediatamente o ponto de chegada.

É nesse caminho que se encontra, segundo ele, uma das finalidades fundamentais da formação sacerdotal.

“O coração da experiência do seminário está todo aqui: aprender a estar com o Mestre, o Senhor Jesus.”

O esforço da vida espiritual, acrescentou, encontra sustentação na fraternidade e na partilha da missão.

Papa defende tempo para discernir “sem atalhos”

Leão XIV afirmou que a presença dos seminaristas representa “um sinal de esperança para toda a Igreja” e agradeceu pelo “sim” renovado diariamente durante o processo formativo.

O Pontífice reconheceu que a duração e as exigências da formação podem parecer difíceis de compreender em uma sociedade acelerada, mas argumentou que são justamente essas características do presente que tornam necessário um período dedicado ao discernimento.

“Justamente porque o nosso tempo é acelerado e barulhento, há necessidade de um lugar e de uma fase da vida em que se aprenda a permanecer, a discernir, a deixar-se formar sem atalhos.”

Por isso, estudo e disciplina são importantes, mas, segundo o Papa, somente encontram seu verdadeiro sentido quando estão fundamentados na relação com Deus.

Seminário deve ser “escola dos afetos”

Outra dimensão destacada por Leão XIV foi a vida comunitária. Ao chamar os Doze, Jesus não formou discípulos isolados, mas uma comunidade.

Para o Papa, a experiência ensina que “a Igreja se vive em conjunto” e deve orientar também a maneira como os futuros sacerdotes compreendem o próprio ministério.

“Nenhum pastor existe sozinho”, recordou.

Nesse contexto, Leão XIV afirmou que o seminário não pode se limitar à transmissão de conhecimentos acadêmicos e teológicos. Antes de ser apenas um espaço para adquirir informações, deve constituir uma verdadeira “escola dos afetos”.

Aos responsáveis pela formação, o Pontífice pediu atenção especial à construção de relações marcadas pela verdade, pela caridade e pelo cuidado.

“Não se improvisa ser formador: o ministério de vocês é extremamente delicado, para o qual se prepara com conhecimento, paciência e amor.”

O Papa também agradeceu às famílias dos seminaristas. Segundo ele, uma vocação frequentemente necessita de “um lar, de pais que rezam e que sabem deixar ir”.

Depois do monte, a missão

A última etapa da imagem proposta pelo Papa é a descida da montanha. Depois do chamado e do período de permanência com Cristo, chega o momento de partir em missão.

Leão XIV apontou algumas das realidades que os futuros sacerdotes encontrarão: famílias com dificuldades para sobreviver, jovens obrigados a deixar suas cidades em busca de trabalho, idosos que enfrentam a solidão, pessoas marginalizadas e aqueles que perderam o sentido da própria existência.

É para essas realidades concretas que a formação deve preparar os seminaristas.

“O sacerdote é enviado a todos para que a todos anuncie a beleza da fé em Jesus Cristo, a boa nova da nossa salvação.”

Ao concluir, Leão XIV confiou a caminhada dos futuros sacerdotes à Virgem Maria e os convidou a aprender com ela a renovar diariamente a resposta ao chamado recebido.

“Peçam a Maria a graça de aprender a dizer todos os dias o seu ‘sim’ ao Senhor Jesus”, concluiu.

Comentários

  • Esta notícia ainda não tem comentários. Seja o primeiro!

Mais lidas