Cookies e Política de Privacidade
A SIGNIS Agência de Notícias utiliza cookies para personalizar conteúdos e melhorar a sua experiência no site. Ao continuar navegando, você concorda com a nossa Política de Privacidade.

Leão XIV: paz começa no coração e alcança o cuidado da criação

Em mensagem para o Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação, Papa relaciona guerras e degradação ambiental e pede conversão pessoal e coletiva diante de um “mundo ferido”

Há 13 horas - por redação com Vatican News
Leão XIV durqante sua visita o Borgo Laudato si’  (@Vatican Media)
Leão XIV durqante sua visita o Borgo Laudato si’ (@Vatican Media)

O Papa Leão XIV afirmou que a construção da paz passa também pelo cuidado com a criação e exige uma transformação que começa no coração humano. A reflexão está na mensagem para o XI Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação, celebrado nesta terça-feira, 1º de setembro.

Inspirado na passagem do profeta Isaías, “Transformarão as suas espadas em relhas de arados e as suas lanças em foices”, o Pontífice relaciona os conflitos armados, o sofrimento humano e a degradação ambiental como expressões de uma mesma crise.

Segundo Leão XIV, essas realidades constituem “um único apelo à cura e à paz, proveniente dum mundo ferido”.

Na mensagem, o Papa convida os cristãos a contemplarem o dom da vida e a reconhecerem a responsabilidade de proteger a terra que a sustenta. Para ele, a resposta à crise atual não depende apenas de mudanças políticas e econômicas, mas também de uma conversão pessoal e coletiva.

Guerras também deixam feridas ambientais

Leão XIV chama atenção para consequências dos conflitos que permanecem mesmo depois do fim dos combates. Além das mortes, dos deslocamentos forçados e da separação de famílias, as guerras provocam danos sociais e ambientais capazes de atravessar gerações.

A destruição de ecossistemas, a contaminação da água e do ar e os impactos sobre a produção de alimentos estão entre as consequências apontadas pelo Pontífice.

Esses fatores, segundo o Papa, também podem aumentar a pobreza, aprofundar desigualdades e alimentar novas tensões sociais, formando um ciclo entre violência, injustiça e degradação ambiental.

Por isso, Leão XIV afirma que a guerra “não se trata apenas dum fracasso político, mas também moral e espiritual” e representa “um contratestemunho do Evangelho da paz”.

Conversão ecológica começa no coração

Diante desse cenário, o Papa retoma a necessidade de uma conversão que não alcance somente as estruturas sociais, mas também as escolhas e relações humanas.

Para Leão XIV, as feridas provocadas pelas guerras e aquelas infligidas à criação estão relacionadas à vontade de domínio, à busca pelo lucro imediato e à dificuldade de reconhecer a dignidade de cada pessoa.

A imagem bíblica das espadas transformadas em instrumentos para cultivar a terra torna-se, assim, um chamado à transformação pessoal e social.

“A paz, então, começa no coração e flui para as nossas relações, comunidades e para o mundo inteiro.”

Segundo o Pontífice, a conversão ecológica nasce do encontro com Cristo e se concretiza na maneira como cada pessoa se relaciona com os outros e com a criação.

“As verdadeiras ferramentas para construir a paz”

Leão XIV também propõe uma mudança na forma como recursos e esforços são empregados pelas sociedades. Em vez dos investimentos destinados à guerra, o Papa pede que as energias humanas sejam direcionadas ao desenvolvimento integral, à superação da pobreza, à proteção da dignidade humana e à reconciliação entre os povos.

“As verdadeiras ferramentas para construir a paz não são as armas de destruição, mas sim a verdade, o diálogo, a paciência, a bondade, a justiça, a misericórdia, a compreensão, o cuidado e o amor.”

A mensagem apresenta, portanto, paz e cuidado ambiental como dimensões interligadas. A proteção da criação não aparece apenas como uma questão ecológica, mas também como parte do compromisso com a justiça e com condições dignas de vida para todos.

Ao concluir, Leão XIV encoraja os cristãos a colaborarem com a renovação da criação, fazendo com que a transformação interior produza consequências concretas nas relações humanas, nas comunidades e no cuidado com o planeta.

“Lenta, mas certamente, passaremos do deserto ao jardim, da divisão à comunhão e da violência à paz.”

Comentários

  • Esta notícia ainda não tem comentários. Seja o primeiro!