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PUCPR cria código para estimular uso crítico da inteligência artificial

Código Humanitas pode ser usado em diferentes plataformas de IA e estabelece orientações sobre fontes, transparência, autoria humana e validação de decisões

Há 11 horas - por da redação com press manager
PUCPR desenvolve código original para tornar a interação com a inteligência artificial mais crítica, transparente e humana Divulgação_PUCPR
PUCPR desenvolve código original para tornar a interação com a inteligência artificial mais crítica, transparente e humana Divulgação_PUCPR

A Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) desenvolveu um protocolo para orientar a interação entre pessoas e sistemas de inteligência artificial, com foco no pensamento crítico, na transparência das informações e na preservação da capacidade humana de decisão.

Chamado de Código Humanitas, o recurso é composto por um conjunto de instruções que pode ser inserido no início de conversas com diferentes modelos de IA. A proposta é fazer com que a tecnologia indique fontes verificáveis, considere diferentes perspectivas e preserve o protagonismo e a autoria do usuário durante a interação.

A iniciativa surge em um contexto de ampliação do uso da inteligência artificial no Brasil. Segundo a Pesquisa Global Hopes and Fears 2025, da PwC, mais de 70% dos trabalhadores brasileiros consultados afirmaram ter utilizado IA em suas atividades profissionais no último ano. A média global registrada pela pesquisa foi de 54%.

Para a PUCPR, o avanço dessas ferramentas exige não apenas capacitação técnica, mas também critérios para que seu uso não substitua capacidades humanas como interpretar, questionar, criar e decidir.

“A nossa preocupação nunca foi colocar a inteligência artificial de um lado e o ser humano do outro”, afirma Cristina Pastore, diretora de Marca e Futuro da PUCPR e porta-voz da instituição no projeto.

Segundo ela, o Código Humanitas pretende contribuir para uma relação mais consciente com a tecnologia.

“Ele não quer impedir o uso da IA, mas contribuir para que ela seja utilizada de maneira mais consciente, transparente e responsável.”

Como funciona o Código Humanitas

O protocolo possui 12 artigos e cinco cláusulas finais que estabelecem orientações para o comportamento da inteligência artificial durante a interação com o usuário.

Entre os princípios previstos estão a transparência sobre as informações apresentadas, a indicação de fontes que possam ser verificadas, a consideração de diferentes pontos de vista e a preservação da autoria humana.

O código também orienta a IA a recomendar validação humana diante de situações que possam produzir consequências relevantes, especialmente em áreas como saúde, direito e finanças.

Na prática, o Código Humanitas funciona como uma camada adicional de instruções. O usuário insere o protocolo no início da conversa e, a partir daí, as diretrizes passam a orientar as respostas geradas pela ferramenta.

De acordo com a PUCPR, o protocolo foi submetido a diferentes cenários de avaliação, incluindo testes A/B com modelos de inteligência artificial, para verificar se as instruções provocavam mudanças consistentes nas interações.

Projeto reúne pesquisadores e especialistas em tecnologia

O desenvolvimento foi conduzido por uma equipe multidisciplinar da PUCPR, com professores e pesquisadores da instituição.

Também participaram da construção e revisão do protocolo o advogado, professor e pesquisador de tecnologia Ronaldo Lemos; o educador e consultor em inteligência artificial generativa Paulo Aguiar; e a 404 Innovation Studio.

Para Lemos, um dos diferenciais da proposta está em transformar princípios relacionados ao uso responsável da inteligência artificial em orientações aplicáveis às próprias ferramentas.

“Em vez de apenas discutir o futuro da IA, criamos mecanismos para influenciar essa relação no presente.”

Paulo Aguiar destaca que a proposta procura levar princípios de ética e responsabilidade para as escolhas realizadas diariamente pelos usuários durante a interação com sistemas de inteligência artificial.

Universidade relaciona iniciativa ao pensamento humanista

A PUCPR vincula o Código Humanitas ao posicionamento institucional “Nunca Pare de Pensar”, que enfatiza o pensamento crítico, a curiosidade e a capacidade de formular perguntas diante das transformações tecnológicas.

A universidade mantém desde 2023 um Observatório de IA voltado à discussão dos limites éticos e das possibilidades da tecnologia no ambiente educacional. Em 2026, também lançou uma Estratégia de IA para orientar e incentivar aplicações da tecnologia em diferentes áreas da instituição.

A iniciativa é relacionada ainda pela PUCPR aos princípios apresentados na encíclica Magnifica Humanitas, do Papa Leão XIV, publicada em maio de 2026, especialmente à defesa da centralidade da pessoa diante do desenvolvimento tecnológico.

Com mais de 54 mil estudantes, cerca de 1,8 mil professores e 17 programas de mestrado e doutorado, a PUCPR foi apontada como a universidade mais inovadora do Brasil pelo Ranking Universitário Folha (RUF) 2025.

Código pode ser utilizado gratuitamente

O Código Humanitas foi elaborado para funcionar independentemente da plataforma escolhida pelo usuário. Dessa forma, o protocolo pode ser incorporado a diferentes ferramentas de inteligência artificial por meio de sua inserção no início de uma conversa.

A proposta é que o usuário continue utilizando a IA como instrumento de pesquisa, criação e apoio às atividades cotidianas, mas sem transferir integralmente para a tecnologia tarefas relacionadas ao julgamento, à autoria e à tomada de decisões.

O Código Humanitas está disponível ao público na plataforma Nunca Pare de Pensar. Mais informações sobre a iniciativa e as atividades acadêmicas da universidade também podem ser consultadas no portal da PUCPR.

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