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Não nos calaremos diante de ataques contra a imprensa em 2022, diz presidente da SIGNIS Brasil

Alessandro Gomes faz balanço das ações da Associação neste ano, posiciona-se em favor da imprensa e fala sobre novos projetos para 2022.

Há 6 meses - por Cléo Nascimento
Não nos calaremos diante de ataques contra a imprensa em 2022, diz presidente da SIGNIS Brasil
A SIGNIS é uma associação católica e internacional que atua em diversas frentes. Presente no Brasil há 20 anos, busca fortalecer e criar comunhão entre organismos, profissionais e veículos. Sua pauta principal é fortalecer uma cultura de paz a partir da comunicação.
Nesta entrevista, Alessandro Gomes, presidente da SIGNIS Brasil, explica o trabalho desenvolvido pela entidade, fala de projetos e perspectivas para 2022 e da postura diante de ofensivas contra profissionais da comunicação.
 
O que é a SIGNIS?
 
O nome SIGNIS vem de signo mesmo. É aquele embrião que constrói algo. Para ser bem didático, a célula do significado que faz com que a gente tenha tenha a formação necessária pra construir alguma coisa. E o que a gente quer construir é comunicação, é construir paz por meio da comunicação direta e indireta, buscando de maneira muito especial os veículos de comunicação, mas também outras maneiras de comunicar. Eu gosto de citar sempre a SIGNIS Jovem, que não é um veículo de comunicação, mas é uma maneira de comunicar para os jovens. É o jovem falando pro jovem com a sua linguagem, com a sua maneira muito específica de de comunicar, é uma célula também e faz com que outros jovens também sejam formados, capacitados na linha da comunicação. Um exemplo que eu gosto de citar é a missão que esses jovens fizeram na Amazônia e que foi de grande importância para a SIGNIS. Eles foram pro meio da Amazônia ensinar a fazer comunicação. Ensinar outras pessoas a construírem comunicação. Lá eles deram cursos sobre como fazer um jornal rural, como fazer fotografia, como como construir um programa de rádio, coisas desse tipo. Foram também construir comunicação.
 
 
Então, a missão da SIGNIS no Brasil é também congregar os veículos de comunicação da Igreja Católica? Gostaria que você falasse um pouco mais sobre as frentes de atuação da Associação.
 
Não só no Brasil, como no mundo. A SIGNIS tem essa essa missão de também congregar os veículos de comunicação. E de que forma? É bom que se diga isso. Cada veículo tem a sua autonomia. Nós trabalhamos como rede, nós fortalecemos uma rede, porém cada veículo tem a sua independência e não é obrigado a transmitir uma programação de rede. Nós trabalhamos com pautas conjuntas e alguns programas também podem ser programas de rede. Nesse caso, nossa missão é discutir em conjunto, é criar uma ambiência para que os veículos possam trabalhar pautas em comum e criar um diálogo entre eles para que esse processo de construção da paz possa ser cada dia mais concreto.
 
Agora fazendo um balanço do trabalho, atividades, eventos. Como você avalia 2021 para a SIGNIS Brasil?
 
Um ano complicado. Primeiro, porque a gente não podia sair para fazer os nossos encontros presenciais e muitos necessitam ser presenciais, por exemplo, os treinamentos práticos. Neste ano, a gente fez um encontro presencial da diretoria ampliada que é a diretoria eleita e os coordenadores de setor da SIGNIS. Essa reunião aconteceu em São Paulo e todas as outras foram de maneira on-line. Diante dessa dificuldade muita coisa do planejamento estratégico ficou para trás. Ainda assim, nós avançamos muito, porque mexemos no planejamento estratégico e construímos muitas coisas. Vou citar, por exemplo o Grupo de Comunicação e Pesquisa (Educomunicação) que realizou um curso de cinema e que foi muito importante para começarmos a pensar um projeto maior. A SIGNIS Jovem conseguiu crescer no número de integrantes, mesmo nesse tempo de pandemia, nesse período de muitas incertezas, e isso também estava no planejamento estratégico. Uma ação importante foi a participação de dez dos nossos jovens em um programa de formação latino-americana e caribenho pra desenvolver uma rádio, construída por 11 países, da qual eu também sou diretor. Também a SIGNIS TV concretizou o trabalho de pautas conjuntas. Outro avanço que a gente pode citar é no quesito rádio, a evolução do Jornal Brasil Hoje, que deixa de ser um um jornal produzido por uma grande rede e passa a ser produzido por uma rádio menor, possibilitando que grupos menores também produzam conteúdo em âmbito nacional. Outro ponto que eu destaco é a questão da Rede Católica de Rádio (RCR), que passa a se chamar SIGNIS Rádio, ou seja, ela vem de vez pra dentro do guarda-chuva da SIGNIS e se torna um dos setores da Associação. O setor de impressos começa a fazer uma migração para as plataformas online e nós estamos buscando maneiras para ajudar essas publicações nessa transição e, para aqueles que querem permanecer com o impresso, nós também estamos buscando maneiras para ajudá-los nessa missão.
 
Algum novo projeto em andamento?
 
Existe um projeto para a formação de uma TV a cabo que está em andamento. Além disso, duas iniciativas estão em discussão: a SIGNIS Cinema e a a criação de uma agência de publicidade. São propostas ainda muito embrionárias, que ainda estão no campo das ideias, mas que podem virar bons projetos.
 
Há pouco, você citou a questão das rádios e a gente sabe que as emissoras de rádio foram bastante impactadas nesse período de pandemia, especialmente as menores. Como a SIGNIS tem trabalhado no sentido de oferecer um auxílio para essas emissoras Brasil afora?
 
A gente tem atuado com aquelas emissoras que tem nos procurado, tentando dar todo o suporte necessário para que elas possam se desenvolver nesse novo momento da comunicação. Em especial, nós temos rádios que estão migrando pro FM e temos oferecido um trabalho de planejamento estratégico, no sentido de orientar. Fizemos congressos que ajudaram muito as emissoras a refletirem em conjunto suas dificuldades e tentar juntas encontrar caminhos. Além disso,  as emissoras que tem procurado as SIGNIS e a RCR  para tirar dúvidas, para encaminhamentos, a gente tem dado toda atenção, inclusive colocando-se à disposição para fazer encontros online, buscar maneiras de fazer planejamento. Esse trabalho de consultoria é gratuito para os associados
 
Neste ano a gente teve a criação da Agência de Notícias SIGNIS. O que esse projeto significa para a Associação?
 
A Agência SIGNIS  foi um sonho que se tornou realidade e ganhou forma muito antes do que a gente imaginava. Em que pese, a gente ainda está em caráter experimental, mas ela já é uma força em se tratando de produção de conteúdos, em se tratando de informações sobre a igreja, sobre o Brasil, sobre as situações que afligem o nosso povo, sobre questões de construção da paz, sobre questões de construção do nosso dia a dia enquanto cidadãos. Que seja um caminho para a construção do do reino de Deus
 
No Brasil, vemos uma onda crescente de ataques contra a imprensa, contra profissionais da comunicação. Independentemente da questão religiosa, que é o lugar onde a SIGNIS está, sendo um organismo da Igreja Católica, como a SIGNIS pretende se posicionar frente a estes ataques?
 
De maneira muito rigorosa, de maneira muito contundente. Nós não podemos permitir esse tipo de ação.  A imprensa precisa cada vez mais se posicionar de maneira direta, incisiva e garantir o seu lugar na sociedade. Rui Barbosa diz que a imprensa é a vista da nação. E a gente precisa prezar por essa imprensa séria e verdadeira, essa imprensa que está ali no dia a dia do cidadão, ajudando a construir a sociedade pro bem comum, ajudando a construir a sociedade para um um tempo melhor para as nossas vidas e especialmente para o futuro. Nós precisamos nos posicionar de forma contundente, radical e de maneira a garantir seu espaço e seus direitos. A SIGNIS repudia veementemente todo e qualquer tipo de ataque a qualquer profissional da comunicação e, em 2022, ano de eleições, com muitos ânimos acirrados, nós não nos furtaremos em denunciar, não ficaremos calados. Emitiremos nota de apoio e de repúdio e tomaremos as medidas que forem cabíveis, caso necessárias, para a proteção e garantia do trabalho destes profissionais.
 
Falando agora de perspectivas. O que nós podemos esperar para 2022?
 
Então, nós já temos na agenda um encontro geral com os veículos de comunicação que deve acontecer em fevereiro. A ideia desse encontro é promover uma discussão sobre as particularidades dessas instituições e para que a SIGNIS possa apresentar sua prestação de contas. Também em 2022 nós faremos o nosso Congresso presencial e tudo indica que neste ano vai dar certo, afinal, também é ano de eleições na SIGNIS Brasil. Em relação a Agência de Notícias, esperamos entrar 2022 com todo vapor. A SIGNIS deixa seu caráter experimental para operar em definitivo e crescer.

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