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Comunicação, criatividade e atenção à vida

A crise causada pela pandemia de Covid-19 exige de pessoas e organizações estratégias para o combate dessa situação em diversos âmbitos. Para profissionais e meios de comunicação, isso não é diferente

Há 5 meses - por Osnilda Lima
Comunicação, criatividade e atenção à vida
(foto por Luís Henrique Marques)

Em 11 de março de 2020, a Organização Mundial da Saúde (OMS) altera o status de surto do novo coronavírus para o de pandemia. Não muda somente o cuidado com a saúde, com as pessoas, mas a pandemia se impôs diante de qualquer planejamento. Para os profissionais e meios de comunicação, sobretudo para os gestores, coube a árdua tarefa de conservar a dinâmica de todo o processo de comunicação; manter as equipes, não obstante, a crise financeira com a “fuga” dos anunciantes; trazer à população informações sobre a gravidade do momento com boas e más notícias, devidamente apuradas e contextualizadas quanto às providências que deveria se tomar para manter os protocolos de cuidado no enfrentamento da Covid-19. As medidas e posicionamentos dos meios de comunicação, em alguns momentos, causaram resistências e críticas.

Jorge Teles dos Passos, diretor executivo das Rádios Cultura FM e 93FM, de Guarapuava (PR), conta que as emissoras –, diante dos decretos, sobretudo, estaduais e municipais – sempre se colocaram favoráveis às medidas por meio de matérias, entrevistas e spots. “Recebemos muitas críticas. Mas trabalhamos no sentido que se preservasse a vida”, conta. O diretor ressalta que trabalharam com campanhas próprias para o uso da máscara, distanciamento social e cumprimento dos horários de toque de recolher. “Já com a chegada da vacina, incentivamos as pessoas a se vacinarem; ouvimos especialistas explicando sobre, é isso para combater notícias falsas, mas também para lembrar as pessoas a tomarem a segunda dose”, revela.

Teles conta que a programação da emissora foi remodelada à medida que foram percebendo as demandas do público ouvinte. “Também identificamos a volta e interação do público jovem e infantil. Então, em alguns momentos, falamos diretamente com eles”, afirma.

Apesar de reconhecer que a pandemia impactou a economia das emissoras, Jorge Teles aposta em soluções criativas e diálogos francos com a equipe de trabalho e com os anunciantes. “Tivemos queda de 80% dos contratos com os anunciantes. Foi preciso demitir profissionais, diminuir horas de trabalho e salários. Com os anunciantes fizemos uma visita e propusemos de continuarem com o contrato, caso não pudessem pagar, a dívida seria perdoada. Com isso, ganhamos mais simpatia”, assegura. Com a equipe de trabalho, ele revela que o clima organizacional melhorou muito; a equipe está mais solidária, unida. “Estamos nos saindo melhores!”.

“Além da reinvenção em tempos de crise, é importante salientar que o mundo mudou. Se pararmos para analisar, há 20 anos a internet nem fazia parte da vida de todos. As mudanças aconteceram de uma forma rápida, alterando rumos, costumes e meios”, ressalta irmã Viviane Moura, diretora do portal Família Cristã.

Família Cristã, da editora Paulinas que, por 88 anos teve sua publicação imprensa, em outubro de 2020 passou para a publicação somente no digital, tornando-se um portal de conteúdos voltado às famílias. “A sua forma mudou para manter o conteúdo de qualidade e permanecer fiel à sua proposta, o da evangelização. A essência permanece a mesma, porém, se reinventou na forma, tornando-se acessível, por meio dos dispositivos móveis”, argumenta irmã Viviane.

 

“A pandemia intensificou mudanças que já eram observadas antes, com destaque para o consumo ainda maior de conteúdos transmitidos pela Internet. Para se adequar a esse cenário, no qual a concorrência se amplia muito, os veículos precisam constantemente rever suas estruturas e modelos de negócio” (Professor Fernando Morgado)

 

Frei Diogo Luís Fuitem, diretor da revista O Mensageiro de Santo Antônio, conta a estratégia reforçada pela revista neste tempo de pandemia. “Trabalhamos conteúdos de formação religiosa, voltados para o mundo da fé; com isso, temos atingido as pessoas que estão carentes de uma maior formação e, que, hoje em dia, ficam confusas diante de tantas coisas que se levantam no campo da fé, procuramos esclarecer em profundidade”, elucida o frei.

Segundo Fernando Morgado, profissional de marketing e inteligência de mercado e professor das Faculdades Integradas Hélio Alonso, em um contexto marcado por notícias falsas, desinformação e excesso de informação os meios de comunicação fora do eixo hegemônico podem contribuir partindo da diferenciação. “Um veículo alternativo não pode prometer o mesmo volume de conteúdos que uma grande empresa entrega, pois esta conta com uma estrutura financeira e humana muito maior. Por outro lado, um veículo alternativo pode dedicar mais espaço e trazer mais pontos de vista a respeito de temas que não necessariamente têm lugar no mainstream”, lembra. O professor lembra que “diante da profusão de opções de informação e entretenimento que a audiência possui hoje em dia, é preciso que os veículos alternativos se destaquem por oferecerem algo diferente do que se costuma ver por aí. Em um setor tão competitivo, não há nada melhor que ser único”, recomenda.

Morgado lembra que os meios de comunicação ditos alternativos, e que fazem parte do panorama comunicacional, “podem oferecer olhares bastante particulares, aprofundando o debate em torno de temas extremamente relevantes, mas pouco evidenciados pelos veículos que são líderes de mercado. Grandes meios e meios alternativos cumprem, portanto, papéis complementares e não excludentes. Juntos, formam um amplo leque de informações que permite ao cidadão opinar e decidir de forma muito mais consciente e consistente”, ressalta.

Para o professor, “a pandemia intensificou mudanças que já eram observadas antes, com destaque para o consumo ainda maior de conteúdos transmitidos pela Internet. Para se adequar a esse cenário, no qual a concorrência se amplia muito, os veículos precisam constantemente rever suas estruturas e modelos de negócio”, conta.

Para manter-se e reinventar-se o é fundamental a sustentabilidade financeira das instituições de comunicação, para isso, Fernando Morgado indica que são vários “os exemplos de veículos alternativos que se valem de publicidade, planos de assinatura ou até mesmo doações. Todos esses modelos também são encontrados em grandes veículos, mas, no caso dos meios alternativos, a diferença está na contrapartida. Enquanto as grandes empresas oferecem grandes resultados comerciais para os anunciantes e mil recursos de conteúdo e tecnologia para o público em geral, os meios alternativos se baseiam na defesa de causas”, lembra. “A audiência é convidada a patrocinar uma comunicação que empunhe bandeiras e defenda valores nos quais ela acredita e que não necessariamente encontra nos grandes veículos. Trata-se, portanto, de uma relação bastante específica, quase emocional, que é muito mais crível e factível quando construída por um veículo que não está ligado a qualquer grande grupo empresarial”, ressalva o professor.

 

Possíveis caminhos

Mais do que nunca, a orientação precisa e de qualidade precisou ser entregue. Pois, para diminuir a velocidade de transmissão do vírus, as pessoas precisaram viver o distanciamento social, diminuir a interação presencial e isolar-se, o que fortaleceu a conexão via tecnologias. Os professores Luiz Arthur Ferraretto e Fernando Morgado publicaram o guia Covid-19 e Comunicação: Um guia prático para enfrentar a crise. Eles ressaltam a necessidade de os meios de comunicação, plataformas da internet, agências e assessorias terem profundo conhecimento do que se divulga; precisão na veiculação de informações; enfrentar e combater as notícias falsas; cuidar da saúde de quem produz a comunicação e pensar na sustentação econômica de veículos de comunicação.

Os professores sugerem, também, uma reflexão em torno de quatro valores a serem trabalhados por empresários, gestores e produtores de conteúdo. São eles: 1) flexibilidade, facilidade na adaptação de novos cenários, sem deixar de lado processos e a essencialidade; 2) responsabilidade, exercer plenamente o seu papel e seguir os paramentos éticos e técnicos na realização das atividades; 3) parceria, união com base na solidariedade, o colocar-se no mesmo patamar e no diálogo a partir das diferenças que geram complementariedade focar na execução de objetivos comuns, e 4) coragem, reação positiva frente à adversidade, com criatividade, persistência e resistência.

Comentários

  • Padre Luiz Carlos de Azevedo

    Ja vi e gostei. Gostaria de poder contar com parceria e comunhão convosco. sou padre jornalista da Arquidiocese de Maringá, diretor da Revista maringá Missão.