Cookies e Política de Privacidade
A SIGNIS Agência de Notícias utiliza cookies para personalizar conteúdos e melhorar a sua experiência no site. Ao continuar navegando, você concorda com a nossa Política de Privacidade.

Ecologia da Comunicação demanda a superação de diferentes crises

MUTICOM 2021 - “O espirito do tempo atual é de uma crise em vários formatos: ecológica, ambiental, social, ambiental e comunicacional”, afirmou o o pesquisador em Comunicação, Jorge Miklos

Há 3 anos - por Osnida Lima
Professor Jorge Miklos: crises comprometem uma ecologia da comunicação
Professor Jorge Miklos: crises comprometem uma ecologia da comunicação (foto por Agência SIGNIS)

Ecologia da Comunicação na agenda midiática do papa Francisco foi o tema da palestra profrida pelo professor Jorge Miklos, da Universidade Paulista, no dia 24 de junho, no segundo dia do Mutirão de Comunicação 2021.

Miklos fez sua reflexão a partir do conceito  desenvolvido pelo comunicólogo Vicente Romano no livro Ecologia da Comunicação, obra dedicada às crianças, em especial, a uma menina do povo originário tupi-guarani, de Peruíbe, litoral de São Paulo.

 Crise ecológica

Já em 1854, a crise ecologica foi apontada em uma carta escrita pelo chefe Seatle ao presidente dos EUA, Franklin Pierce, quando este sugeriu comprar grande parte das terras dos povos suquamish e duwamish, no que hoje é o estado americano de Washington, e, em contrapartida, o governo americano ofereceria a concessão de uma outra “reserva” ao povo originário. Jorge Miklos trouxe um trecho do conteúdo de Seatle. “A terra não pertence ao homem; o homem pertence a terra. Todas as coisas estão ligadas como o sangue que une uma família. Há uma ligação em tudo. O que ocorrer sobre a terra recairá sobre os filhos da terra. O homem não tramou o tecido da vida; ele é simplesmente um de seus fios. Tudo o que fizer ao tecido, fará a si mesmo”. O professor enfatizou: “essa advertência que sopra como um vento no século 19, nunca foi tão importante para nós que estamos vivendo no século 21”.

Crise ambiental

O pesquisador prosseguiu expondo sobre a questão da crise ambiental. Citou o teólogo Lernardo Boff, que afirma referente a sobrecarga da terra: “A humanidade está consumindo um planeta inteiro e mais 40% dele que não existe. O resultado é uma manifestação insofismável da insutentabilidade global da terra e do sistema de produção e consumo operante. Entramos no vermelho e assim não poderemos continuar porque não temos mais fundos  para cobrir nossas dividas ecológicas”, sentencia Boff.

Crise social

Sobre a crise social, Miklos lembrou o acúmulo de riqueza, pois 85% dos mais ricos têm o mesmo patrimônio que  a metade da população mundial. O patrimônio dos mais ricos é de 1,7 trilhão de dólares, o equivalente ao dinheiro dos 3,5 bilhões mais pobres. 1% das famílias do planeta são donas de 46% da riqueza no mundo. “Nós estamos estendendo cercas, estendendo muros e isso contraria toda a essência da comunicação”,afirmou o professor.

 

 “...técnica e a comercialização da comunicação implicou a industrialização com o objetivo de converter o indivíduo como  receptor ideal, em consumidor ideal, não em agente, mas em paciente”

 

Ele apresentou imagens de pessoas em situação de rua, no centro de São Paulo. As ruas da capital paulista abrigam mais de 30 mil pessoas. E esse número cresceu vertiginosamente com o advento da pandemia de Covid-19. O professor compartilhou também a imagem icônica do menino Alan Kurdi, de três anos, refugiado sírio, que foi vítima  de afogamento no Mar Mediterrâneo, ao tentar migrar com a família para Grécia. “Há uma crise de empatia, de alteridade. Crise sistêmica!”, ressaltou o professor

Crise comunicacional

A crise é também comunicacional. “As intervenções técnicas do ser humano não se limitam à biosfera, afetam também a sociosfera e a noosfera. Afetam o âmbito da comunicação humana”, apontou Miklos que fez questão de resaltar que a ecologia da comunicção deve estabeler uma ponte entre a teoria da comunicação e a ecologia integral, pois a dimensão ecologica e ética devem levar ao vínculo entre um ser humano e outro.

          O professor salientou que a “técnica e a comercialização da comunicação implicou a industrialização com o objetivo de converter o indivíduo como  receptor ideal, em consumidor ideal, não em agente, mas em paciente”

Ecologia da comunicação

A ecologia da comunicação, ponderou Miklos, “deve promover a saúde e a qualidade de vida das pessoas e das coletividades e contribuir para a eliminação de quaisquer forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão. Ecologia da comunicação pretende averiguar até que ponto é possível criar uma comunicação comunitária pela qual o ser humano se sinta realizado”.

Por fim, o pesquisador apresentou imagens de São João Paulo II, que, quando chegava em cada país, “ao descer do avião ele beijava o chão, como sinal de que estamos numa casa comum”. Já as imagems apresentadas  do papa Francisco abraçando e beijando as pessoas, carregando a própria mala, fazendo selfie com um grupo de jovens, apresenta, segundo o professor, gestos de humanidade, humildade e estabelece o contato com a mídias digitais.

Miklos encerrou a apresentação com a frase do filme argetino Medianeras: Buenos Aires da era do amor virtual:  “Brotam no cimento mesmo, crescem onde não deveriam crescer. Com paciência e vontade exemplares, erguem-se com dignidade. Sem nenhuma estirpe, selvagens, inclassificáveis para a botânica. Uma estranha beleza cambaleante, absurda, que enfeita os cantos mais cinzentos”.

Comentários

  • Esta notícia ainda não tem comentários. Seja o primeiro!