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Eles se dedicam a ajudar quem quer recomeçar a vida

Aproveitamos a “deixa” do Dia Nacional de Combate ao Alcoolismo para partilhar a experiência de pessoas que atuam na ajuda de egressos de comunidades terapêuticas

Há 8 meses - por Luís Henrique Marques
Grupos de assistência espiritual para egressos de comunidades terapêuticas realizam um trabalho fundamental no processo de recuperação do dependente químico
Grupos de assistência espiritual para egressos de comunidades terapêuticas realizam um trabalho fundamental no processo de recuperação do dependente químico (foto por Blog Viver Sem Drogas)

Mais uma vez, a Agência de Notícias SIGNIS aproveita uma efeméride para fazer eco a uma “boa nova”. O calendário civil brasileiro dedica este 18 de fevereiro para o Dia Nacional de Combate ao Alcoolismo. Imediatamente lembramos do heroico trabalho que a Pastoral da Sobriedade, em parceria com muitas comunidades terapêuticas, realiza no resgate da vida daquelas pessoas que, por diferentes razões, tiveram a própria existência (e de seus familiares) devastada por conta do uso do álcool e das drogas ilícitas. Dessa vez, nos propomos voltar o nosso olhar para um grupo de pessoas que atua na assistência espiritual e humana de dependentes químicos egressos de comunidades terapêuticas e que estão buscando recomeçar a vida em meio ao convívio social.

Para apresentarmos essa perspectiva, vamos nos concentrar na experiência do Grupo Esperança Viva (GEV), que se dedica a acolher egressos da Fazenda da Esperança e seus familiares. “O GEV é a estrutura externa da Fazenda na sociedade, sempre implantado nas paróquias, justamente para dar continuidade ao processo de crescimento espiritual daqueles que passaram pela Fazenda”, explica Telma que, juntamente com o esposo Antônio Alberto Lopes, fazem parte da coordenação do GEV (o chamado Apoio) de Santo André, na grande São Paulo. Membros do Movimento dos Focolares, eles atuam nesse grupo desde 2013, quando resolveram atender a um apelo para o serviço voluntário no Grupo Esperança Viva da sua paróquia.

 

Antônio e Telma Lopes, coordenadores do GEV de Santo André com uma amiga, Anne (Arquivo pessoal)

 

“O GEV é também um processo de cura e recomeço para as famílias que são acolhidas e acompanhadas durante todo o período em que o familiar está em recuperação”, completa Antônio. O grupo realiza reuniões semanais, com reflexões sobre a Palavra de Deus, assim como são feitas na Fazenda da Esperança. Esses são também momentos de partilhas de experiências inspiradas no Evangelho e do que é chamado “comunhão de alma”, em que os participantes colocam em comum seus sentimentos de alegria e tristeza, suas dificuldades e esperanças. Além disso, quem participa dessas reuniões recebe uma formação espiritual conforme o carisma da Fazenda da Esperança. “Realizamos também um acompanhamento da realidade social de cada família caso haja necessidade de nossa intervenção”, diz Telma.

O casal lembra que a Fazenda da Esperança é uma comunidade terapêutica de origem católica, de caráter ecumênico, que acolhe jovens e adultos doentes do alcoolismo e outras drogas. A pedagogia de recuperação da Fazenda se fundamenta em três pilares: 1- Laborterapia (realizada mediante uma rotina de trabalho em diferentes áreas); 2- Convivência social e 3- Espiritualidade. Nas unidades dessa comunidade, espalhadas por todo o Brasil e em várias regiões do mundo, os recuperandos participam da meditação diária à luz da Palavra de Deus, da missa e outras celebrações e de momentos que favoreçam o seu encontro pessoal com Deus, além de realizarem uma experiência comunitária e receberem formação humana e familiar. “O objetivo maior de tudo isso é propiciar um novo sentido de vida para cada um”, afirma Antônio. Ele testemunha ter constatado “verdadeiros milagres de reencontros pessoais, de perdão, de famílias restauradas”.

 

Experiências

 

Sidnei Viana com as filhas e o neto (Arquivo pessoal)

 

Sidnei Viana é dependente de álcool. Alcoólatra por mais de 30 anos, um dia aceitou a proposta da Fazenda da Esperança e cumpriu o período de recuperação de 12 meses. “Enquanto isso, sua filha, já mãe de família, foi cuidada e amparada pelo GEV, que a ajudou a aceitar a doença do pai, a entendê-lo e perdoá-lo”, conta Telma. Ela diz que, desde 2014, esse senhor voltou ao trabalho, recuperou a sua autoestima e dignidade, assim como os laços familiares. “É um pai e um avô amoroso e um funcionário exemplar, tendo chegado a receber um troféu de melhor vendedor do ano da empresa”, completa a coordenadora do GEV.

Dona Regina, o esposo e filhas (Arquivo pessoal)

 

Assim como esse exemplo, há muitos outros, o que inclui de familiares que, tendo “adoecido” juntamente com o dependente, precisaram passar por um processo de recuperação. É o caso da família da dona Regina, acolhida na Fazenda da Esperança em razão do alcoolismo e drogas. Ela mãe de duas filhas jovens e casada com um cadeirante, portador de HIV. “Após a visita familiar, vimos a necessidade de uma intervenção mais profunda na situação, já que essas pessoas residiam em condições sub-humanas”, conta Antônio. Juntamente com o serviço público da cidade e em parceria com a Casa Sol Nascente (setor da Fazenda da Esperança responsável por acolher pessoas vulneráveis portadoras de HIV), essa família passou a ser atendida por tempo indeterminado, além de ser favorecida por uma campanha feita pelo GEV para arrecadar alimentos e produtos de higiene pessoal, bem como orientação de emprego para as meninas.

 

Bábara Marques: ajudar recuperandos e suas famílias se tornou uma missão de vida (Arquivo pessoal)

 

Quem também tem uma experiência especial para contar de participação no GEV é a jovem jornalista Bárbara Gil Marques. Hoje, ela é voluntária e atua como membro do grupo de coordenação do mesmo grupo coordenado por Telma e Antônio. Ela conheceu o casal num momento muito difícil da sua vida: seu pai havia acabado de falecer, vítima da dependência química. Orientada por um tio, Bárbara resolveu transformar aquela experiência de sofrimento em mote para ajudar outras pessoas que vivem situação semelhante à sua. Foi uma ressurreição, como ela define.

Começou, então, a participação das reuniões semanais do GEV, ajudando na elaboração dos relatórios enviados à Fazenda da Esperança, muito importantes para o acompanhamento de todos que participam do grupo. Em função da sua dedicação, foi convidada a fazer parte da coordenação do GEV. “Essa se tornou a minha missão de vida”, conta. Ela se diz muito contente em poder realizar essa experiência e por poder colaborar com a Fazenda da Esperança. Para o bom êxito disso, Bárbara é categórica: “preciso manter a minha fé firme; isso me ajuda a levar a vida com serenidade”.

Serviço: para saber mais sobre o Grupo Esperança Viva, acesse https://www.portalfazenda.org/EsperancaViva/Home

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