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Vôlei, convivência e fé: iniciativa acompanha crianças e adolescentes no interior de São Paulo

Iniciativa comunitária no bairro Parque das Rodovias em Lotrena (SP) articula esporte, convivência e acompanhamento humano como alternativa a contextos de vulnerabilidade

Há 3 meses - por Ronnaldh Oliveira
Vôlei, convivência e fé: iniciativa acompanha crianças e adolescentes no interior de São Paulo

Um projeto de vôlei desenvolvido no bairro Parque das Rodovias, em Lorena (SP), tem se consolidado como uma iniciativa de impacto social junto a crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade. Criado a partir de treinos informais entre um pai e sua filha, o projeto atende atualmente 42 jovens, com idades entre 12 e 17 anos, divididos em duas turmas que se reúnem todos os sábados, das 8h ao meio-dia, em uma quadra de areia do próprio bairro.

A iniciativa é conduzida por Leandro Bertão, supervisor geral de call center, que relata que o projeto surgiu sem planejamento institucional. “Comecei treinando minha filha, porque ela não estava se desenvolvendo em outro projeto. Aos poucos, amigos dela se juntaram, e depois veio o convite para abrir o treino às crianças do bairro”, explica. A partir desse movimento inicial, a proposta ganhou apoio pontual de membros da comunidade e de um empresário local, que contribuiu com materiais esportivos e uniformes.

Esporte, convivência e projeto de vida

Além do treinamento técnico, o projeto se estrutura como um espaço educativo e de convivência. Segundo Bertão, o esporte tem funcionado como ferramenta de motivação, disciplina e permanência escolar. “Eles perguntam sobre testes em clubes, sobre peneiras, mas sempre deixo claro que precisam ter uma segunda opção, especialmente os estudos”, afirma. Em ao menos um caso relatado, a participação no projeto esteve diretamente associada à melhora no desempenho escolar de um adolescente.

A dimensão pastoral também integra a proposta. Os encontros incluem momentos de diálogo e oração, e algumas experiências ultrapassaram o espaço da quadra. Bertão relata que, após a decisão de suspender um treino para participação na missa, alguns jovens passaram a frequentar a celebração e buscaram o sacramento da confissão. “Não é o esporte pelo esporte. A ideia é integrar, mas também apresentar valores e dar espaço para Deus na vida deles”, diz.

O projeto ocorre em um bairro marcado por vulnerabilidades sociais, incluindo a presença do tráfico de drogas. Para o coordenador, a ocupação do tempo e o fortalecimento de vínculos comunitários ajudam a criar alternativas concretas. “Se não tiver algo que ocupe a cabeça dessas crianças, muitas acabam indo para outros caminhos”, afirma. A ação também tem despertado o interesse de moradores, que passaram a procurar o projeto para saber como incluir seus filhos.

Compromisso com a vida

Entre os relatos de transformação, Bertão destaca o caso de João, jovem de 18 anos com traços de autismo, que chegou ao projeto sem vínculos sociais e hoje atua auxiliando nos treinos. Segundo ele, além do desenvolvimento esportivo, houve avanço na socialização e na relação com a escola e a família. “Hoje ele se sente parte, ensina os mais novos e ganhou confiança”, relata.

Para 2026, as expectativas incluem melhorias na infraestrutura da quadra, aquisição de tênis e equipamentos de proteção para os alunos e a participação em torneios regionais. O objetivo também é encaminhar alguns jovens para testes em clubes do Vale do Paraíba. “O foco é continuar desenvolvendo essas crianças, passo a passo”, resume Bertão.

Apesar do crescimento, o projeto ainda enfrenta limites operacionais. Atualmente, a condução das atividades é feita de forma voluntária e com apoio dos próprios jovens mais velhos. “A tendência é crescer, e isso exige pensar, inclusive com a Igreja, em como estruturar melhor essa iniciativa”, conclui.

Comentários

  • Maria Cristina De Souza

    Parabéns leandro e sua filha Isabela pela iniciativa e persistência em acreditar sempre e ter um olhar de esperança para os futuros jogadores de vôlei.