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11 de Setembro: Papas condenam terrorismo e apontam caminho da paz

De João Paulo II a Francisco, pontífices recordaram as vítimas dos atentados nos Estados Unidos e reafirmaram que violência, vingança e terrorismo não podem ser respostas aos conflitos

Há 3 horas - por redação com Vatican News
A Cruz no Ground Zero
A Cruz no Ground Zero

Vinte e cinco anos após os atentados de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos, as palavras dos Papas diante da tragédia permanecem como um apelo contra o terrorismo, a violência e a vingança. João Paulo II, Bento XVI e Francisco, em diferentes momentos, recordaram as vítimas e defenderam o diálogo, a reconciliação e a dignidade humana como caminhos para a paz.

Os ataques de 2001 deixaram quase três mil mortos. Naquele dia, João Paulo II estava em Castel Gandolfo quando foi informado sobre o ocorrido pelo então diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Joaquín Navarro-Valls. Profundamente abalado, recolheu-se em oração e enviou uma mensagem de pesar e proximidade ao então presidente dos Estados Unidos, George W. Bush.

No telegrama, classificou os atentados como “desumanos” e falou de um “horror indescritível”.

João Paulo II: uma afronta à dignidade humana

 

No dia seguinte aos ataques, durante a audiência geral na Praça São Pedro, João Paulo II pediu que não houvesse aplausos. Diante dos fiéis reunidos em silêncio, definiu o 11 de Setembro como “um dia sombrio na história da humanidade” e “uma terrível afronta à dignidade do homem”.

Um ano depois, o Pontífice voltou a recordar a tragédia e condenou qualquer tentativa de responder à violência com mais violência.

“O terrorismo é e será sempre uma manifestação de ferocidade desumana”, afirmou em 11 de setembro de 2002.

Para João Paulo II, a opressão, a violência armada e a guerra produzem ódio e morte. Em contraposição, indicou a razão e o amor como instrumentos capazes de enfrentar os conflitos entre pessoas e povos.

Leão XIV e o 11 de Setembro

A história do atual Papa também se cruza com aqueles acontecimentos. Em setembro de 2001, Robert Francis Prevost participava, em Roma, do 180º Capítulo Geral Ordinário da Ordem de Santo Agostinho.

Três dias depois dos atentados, em 14 de setembro, Prevost foi eleito prior-geral da Ordem. Ao presidir a missa de encerramento do Capítulo, em 21 de setembro, na igreja de Santa Maria del Popolo, refletiu sobre a violência que havia atingido seu país.

“A violência que o mundo viu agir na semana passada nos Estados Unidos é uma expressão trágica de uma série de problemas que estão se agravando em toda parte”, afirmou.

Prevost relacionou o crescimento do ódio e da violência à pobreza extrema e às diferentes formas de injustiça. Diante das reações que pediam vingança, indicou outra resposta para os agostinianos.

“Enquanto muitos procuram vingança, os agostinianos devem dar testemunho do Evangelho e de seus valores de unidade, diálogo, paz e reconciliação”, declarou.

Bento XVI: nenhuma circunstância justifica o terrorismo

Em abril de 2008, durante viagem apostólica aos Estados Unidos, Bento XVI visitou o Ground Zero, em Nova York. No local onde estavam as Torres Gêmeas, acendeu uma vela pelas vítimas e rezou pela paz.

O Papa pediu a Deus que concedesse à humanidade “a sabedoria e a coragem de trabalhar incansavelmente” por um mundo no qual a paz e o amor prevalecessem entre as nações e no coração das pessoas.

No décimo aniversário dos atentados, em 2011, Bento XVI voltou ao tema em uma mensagem à Igreja nos Estados Unidos. O Pontífice rejeitou especialmente a tentativa de justificar o terrorismo em nome da religião.

“Nenhuma circunstância pode jamais justificar atos de terrorismo”, afirmou.

Bento XVI destacou ainda que toda vida humana é preciosa aos olhos de Deus e defendeu o respeito aos direitos e à dignidade de indivíduos e povos.

Francisco no Ground Zero

Em 25 de setembro de 2015, foi a vez do Papa Francisco visitar o local dos atentados, já transformado em memorial.

Durante um encontro inter-religioso, Francisco definiu os ataques como “um ato insensato de destruição” e recordou a dor provocada pelas milhares de vidas perdidas.

Para o Pontífice, a violência, o ódio e a vingança não oferecem solução para os conflitos, mas produzem mais sofrimento, destruição e lágrimas.

Diante do memorial, Francisco apresentou uma resposta baseada na reconciliação: “A reconciliação e a unidade vencerão o ódio e a divisão”.

“Nunca mais uns contra os outros”

Vinte anos após os atentados, em 11 de setembro de 2021, Francisco voltou a defender o compromisso ativo com a paz durante uma mensagem ao G20 Interfaith Forum, realizado em Bolonha.

“Não neutros, mas comprometidos com a paz!”, pediu.

O Papa defendeu o direito de solucionar conflitos sem recorrer à violência e concluiu com um apelo: “Nunca mais a guerra, nunca mais uns contra os outros, nunca mais sem os outros!”.

Vinte e cinco anos depois do 11 de Setembro, as manifestações dos pontífices atravessam diferentes momentos históricos, mas convergem em uma mesma posição: o terrorismo não encontra justificativa na religião, a dignidade de cada vida humana deve ser preservada e a violência não pode ser vencida pela vingança, mas pelo diálogo, pela reconciliação e pela construção da paz.

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