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Mês da Bíblia: redes sociais aproximam jovens da Palavra, mas desafiam aprofundamento

Conteúdos digitais podem despertar o interesse pelas Escrituras, mas excesso de estímulos e leituras rápidas exigem formação, silêncio e disciplina para uma experiência mais profunda

Há 15 horas - por redação com Canção Nova
Imagem: Canva Pró
Imagem: Canva Pró

Durante setembro, quando a Igreja celebra o Mês da Bíblia, as Sagradas Escrituras também ganham espaço nas redes sociais, aplicativos de oração e outras plataformas digitais. Para os jovens, esses ambientes podem facilitar o primeiro contato com a Palavra de Deus. Ao mesmo tempo, a dinâmica de conteúdos rápidos traz desafios para quem deseja avançar da leitura de um versículo para uma experiência mais aprofundada.

Ester Vieira, coordenadora do grupo Jovens Sarados, avalia que a relação entre fé e redes sociais exige atenção. O grupo, fundado em 2008 pelo padre Edimilson Lopes, da Comunidade Canção Nova, atua na evangelização de jovens e adultos.

Segundo Ester, a internet amplia o alcance do Evangelho e pode despertar a curiosidade, mas a própria lógica das plataformas dificulta o aprofundamento.

“Ajuda nesse sentido de propagar mais o Evangelho, de contribuir, de alguma forma, para que a Palavra esteja em mais momentos na vida das pessoas, principalmente dos jovens. Mas, ao mesmo tempo, limita no sentido de ser algo muito rápido e muito supérfluo”, afirma.

Do versículo ao contexto

Entre os formatos comuns nas redes estão as chamadas “pílulas bíblicas”, com pequenos trechos das Escrituras apresentados em vídeos, cards ou publicações que podem ser consumidos rapidamente.

Embora possam funcionar como porta de entrada, Ester alerta que esse contato não substitui o estudo e a meditação da Palavra. Para ela, um dos principais obstáculos enfrentados pelos jovens é justamente a dificuldade de manter a atenção diante da quantidade de estímulos digitais.

“A leitura bíblica demanda meditação, reflexão”, explica.

Por isso, a coordenadora defende que os jovens sejam ajudados a compreender que a experiência com a Bíblia exige tempo, preparação e disposição interior. Silêncio, anotações e oração podem fazer parte desse processo.

“Tudo o que é uma experiência demanda tempo, preparo. E a leitura bíblica é essa experiência”, destaca.

O desafio, segundo ela, é fazer com que o conteúdo encontrado nas redes não seja entendido como ponto de chegada. Um versículo visto no celular pode despertar uma pergunta ou interesse, mas precisa abrir caminho para uma relação mais consistente com o texto bíblico.

Lectio Divina como caminho de aprofundamento

Uma das experiências adotadas pelos Jovens Sarados para ajudar nesse processo é a Lectio Divina, método tradicional de leitura orante das Escrituras baseado em leitura, meditação, oração e contemplação.

Nos retiros promovidos pelo grupo, os participantes recebem orientações sobre como realizar o estudo bíblico e, depois, têm momentos específicos para colocar o método em prática.

Ester explica que a proposta não exige necessariamente a leitura de grandes trechos. O aprofundamento pode começar por uma palavra ou versículo que desperte a atenção.

“Às vezes, um versículo chamou a atenção; então, fique naquele versículo e viva a experiência ali”, relata.

Além da metodologia, a regularidade também é considerada fundamental. Inspirada no método “A Bíblia no meu dia a dia”, difundido pelo padre Jonas Abib, Ester recomenda estabelecer um horário específico para a leitura.

“É mais difícil no começo, mas depois vira rotina, e isso ajuda a sermos fiéis e a deixarmos o celular um pouco de lado”, afirma.

Palavra que alcança a vida cotidiana

Para a coordenadora, os efeitos do contato mais profundo com as Escrituras ultrapassam o momento da oração e podem ser percebidos na maneira como os jovens lidam com responsabilidades, relacionamentos e escolhas cotidianas.

“Quando o jovem de fato mergulha na Palavra de Deus e tem essa intimidade com Ele, é muito nítida a mudança de postura e de responsabilidade”, observa.

Segundo Ester, esse amadurecimento pode aparecer nas obrigações familiares, no trabalho, na faculdade e na maneira de enfrentar situações da vida.

“A Palavra nos transforma, nos modela”, resume.

No Mês da Bíblia, a experiência dos Jovens Sarados evidencia, assim, uma questão presente na evangelização das novas gerações: o ambiente digital pode favorecer o encontro inicial com as Escrituras, mas o aprofundamento continua exigindo tempo, silêncio, formação e constância.

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