Bispos do Regional Sul 3 se encontram com movimentos sociais do Rio Grande do Sul
O momento reuniu representantes de 15 movimentos sociais, 14 arce/bispos e diversos membros das pastorais sociais do estado
Inspirada pelos encontros do Papa Francisco com os movimentos sociais e populares do mundo inteiro, a CNBB Sul 3, por meio da Comissão Pastoral para a Ação Sociotransformadora, realizou na noite desta quarta-feira (23) um encontro com representantes dos movimentos sociais do Rio Grande do Sul.
O encontro iniciou com a abertura pronunciada por dom José Gislon, presidente do Regional:
"Quando nos colocamos na escuta das lideranças que atuam nos Movimentos Populares e nas Pastorais Sociais, nos deparamos com as realidades que tocam e ferem a vida do povo. Todos nós sabemos que elas existem, mas nem todos querem ver ou sentir o clamor que emana de uma realidade tão próxima", apontou dom José.
O Bispo Referencial da Comissão Episcopal Pastoral para a Ação Social Transformadora do Regional Sul 3, dom Sílvio Guterres Dutra, acolheu os participantes, explicando que a proposta do encontro nasceu da articulação das pastorais sociais no Estado e do processo da 6ª Semana Social Brasileira, que trabalha os temas da Terra, Teto e Trabalho.
Em seguida, os movimentos seguiram seus relatos, apresentando suas denúncias e partilhando suas necessidades, a partir da realidade e do contexto de cada um. Salete Carollo participou do encontro pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra e pela Via Campesina. Segundo ela, a iniciativa do encontro é um fato inédito. “Não temos lembrança, em tantos anos, que tenhamos tido uma oportunidade igual a esta, de nos reunirmos para darmos continuidade ao diálogo”.
Também participaram do encontro o frei Olavo Dotto, assessor da Comissão Episcopal Pastoral para a Ação Sociotransformadora da CNBB; e Alessandra Miranda, Secretária Executiva da 6ª Semana Social Brasileira no Brasil.
Realidade que desafia
Entre os relatos partilhados pelos representantes dos movimentos sociais, alguns pontos convergem e chamam para uma mobilização social coletiva em prol da promoção e do cuidado com a vida. Os mais destacados foram justamente aqueles trabalhados pela 6ª Semana Social Brasileira: o direito à terra, ao teto e ao trabalho.
Outros pontos comuns, motivos de preocupação por parte dos movimentos, é o aumento da fome no Brasil, o alto índice de desemprego, as dificuldades enfrentadas pelas comunidades tradicionais (quilombolas, ribeirinhos e indígenas), as desigualdades sociais, os preconceitos de gênero e raça e as inúmeras consequências da pandemia do Covid-19.
Esperanças
"Sigam promovendo sua agenda de terra, teto e trabalho. Sigam sonhando juntos! Não percamos a esperança." O convite do Papa Francisco aos movimentos também motivou o encontro na noite desta terça-feira, que diante da realidade de dor e dificuldades apresentadas assumiu o desafio de viver a esperança.
Maria Suziane Gutbier, do Fórum Gaúcho de Economia Popular Solidária, ressaltou o esforço do Papa Francisco no empenho e valorização das iniciativas populares comprometidas com a vida na terra, como resposta das crises do nosso tempo e reforçou que precisamos olhar sempre em frente sabendo que não caminhamos sozinhos:
“Temos a utopia de um mundo melhor, mas sabemos que ele é possível porque provamos dele em cada passo dado, no olhar e na prática de solidariedade de cada um e cada uma que caminha conosco e se compromete com a promoção da vida”, declarou Suziane.
O encontro foi avaliado de forma muito positiva pelos participantes que destacaram a necessidade de novas reuniões como esta: “Conseguimos fazer o que era possível neste formato e neste tempo. A intenção é que não seja um momento único, mas que nos suscite o compromisso de mais encontros, com mais tempo e quem sabe presença física”, comentou dom Silvio
Já para dom Gilson, o momento nos enche de esperança porque podemos perceber que o povo de Deus consegue olhar mais de perto a realidade dos feridos e fragilizados que estão a margem do caminho nos contextos onde vivemos.
“Queremos ter sempre esse espaço de escuta e colaboração, porque juntos temos que trabalhar e dar uma resposta de amor, compaixão e solidariedade a realidade deste povo que faz parte da realidade do nosso Estado”, concluiu dom José.
Comentários
- Esta notícia ainda não tem comentários. Seja o primeiro!
Mais lidas
-
1

Notícia
Curso sobre Educomunicação: a consciência crítica como antídoto à desinformação
Há 2 anos -
2

Notícia
Curso de Locução para Rádios
Há 2 anos -
3

Notícia
Divulgado o tema do próximo Dia Mundial das Comunicações Sociais
Há 1 ano -
4

Notícia
Curso: Marketing digital na evangelização pelas mídias
A SIGNIS Brasil está proporcionando mais um curso para seus associados em parceria com o SEPAC Paulinas
Há 1 ano -
5

Notícia
Mensagem de Sua Santidade Papa Francisco para o LIX Dia Mundial das Comunicações Sociais
Partilhai com mansidão a esperança que está nos vossos corações (cf. 1 Pd 3,15-16)
Há 9 meses -
6

Perfil
Psicopedagoga do interior do Ceará transforma o cuidado com crianças autistas em missão de vida
No interior do Ceará, Wilne Maria Farias transforma o cuidado com crianças autistas em um testemunho cotidiano de inclusão, afeto e compromisso com a vida
Há 2 meses
