Igreja recorda os 50 anos do martírio de Rodolfo Lunkenbein e Simão Bororo
Celebrações em Meruri (MT) recordam o testemunho dos Servos de Deus e acompanham o avanço da causa de reconhecimento de seu martírio no Vaticano
A Igreja no Brasil celebra, no próximo dia 15 de julho, os 50 anos do martírio do padre salesiano Rodolfo Lunkenbein e de Simão Bororo, assassinados em 1976 na missão salesiana de Meruri, em Mato Grosso, durante a defesa do povo indígena Bororo.
A data será marcada por celebrações de ação de graças e memória promovidas pela Inspetoria Salesiana de Campo Grande, reunindo missionários, comunidades indígenas e fiéis junto aos túmulos dos dois Servos de Deus.
Além de recordar o testemunho de ambos, as celebrações também acompanham o avanço da causa de reconhecimento de seu martírio, atualmente em análise no Dicastério para as Causas dos Santos.
Causa avança no Vaticano
O processo diocesano foi aberto em 2018, concluído em 2020 e posteriormente reconhecido pela Santa Sé.
Em novembro de 2024 foi entregue ao Vaticano a Positio super Martyrio, documento que reúne os elementos históricos e teológicos da causa. No ano seguinte, o material recebeu parecer favorável da comissão de teólogos do Dicastério.
A etapa seguinte será a apreciação pelos cardeais e bispos membros do organismo, antes da decisão final do Papa sobre o reconhecimento oficial do martírio.
Uma vida dedicada aos povos indígenas
Nascido na Alemanha, em 1939, Rodolfo Lunkenbein ingressou na Congregação Salesiana ainda jovem, motivado pelo desejo de atuar como missionário.
Após a formação sacerdotal, retornou definitivamente ao Brasil e passou a viver entre o povo Bororo, que lhe deu o nome de Koge Ekureu, expressão que significa "Peixe Dourado".
Além da atuação pastoral, participou da fundação do Conselho Indigenista Missionário e dedicou-se à defesa dos direitos dos povos indígenas e de seus territórios.
Sua vida foi interrompida em 15 de julho de 1976, quando foi morto durante um conflito envolvendo fazendeiros e a comunidade indígena.
O testemunho de Simão Bororo
Natural de Meruri, Simão Bororo nasceu em 1937 e cresceu junto à missão salesiana.
Pedreiro e liderança respeitada entre seu povo, colaborou na construção das primeiras moradias da comunidade e participou das missões junto ao povo Xavante.
No dia do atentado, tentou proteger o padre Rodolfo Lunkenbein e acabou sendo mortalmente ferido. Segundo os relatos preservados pela Igreja, suas últimas palavras foram de perdão aos agressores.
Memória que inspira a missão
Ao recordar os cinquenta anos do martírio de Rodolfo Lunkenbein e Simão Bororo, a Igreja reafirma a importância do compromisso com os povos indígenas, a promoção da justiça e a construção da paz.
O testemunho dos dois Servos de Deus permanece como expressão de uma Igreja que escolhe caminhar ao lado dos mais vulneráveis e anuncia o Evangelho por meio do serviço, da defesa da vida e da reconciliação.
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