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Santa Sé desmente absolvição e conclusão do caso Marko Rupnik

Diretor da Sala de Imprensa afirma que processo canônico segue em andamento e nega informações sobre uma decisão definitiva

Há 3 horas - por redação com Sala de Imprensa da Santa Sé
Pe. Marko Ivan Rupnik / Foto: Divulgação
Pe. Marko Ivan Rupnik / Foto: Divulgação

A Santa Sé negou que o processo canônico envolvendo o ex-jesuíta esloveno Marko Rupnik tenha sido concluído. Em comunicado divulgado na terça-feira (22), o diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Matteo Bruni, classificou como "absolutamente infundadas" as informações divulgadas em blogs e redes sociais que apontavam para uma decisão definitiva do tribunal responsável pelo caso.

Segundo Bruni, a investigação permanece em andamento e continua sob análise das autoridades competentes.

Processo segue em fase de instrução

De acordo com a nota, o tribunal responsável examina a documentação encaminhada pelas dioceses envolvidas, pela Companhia de Jesus, pelas partes interessadas e também informações tornadas públicas pela imprensa.

A Santa Sé informou ainda que, caso os juízes considerem necessário, novas diligências poderão ser realizadas para complementar a instrução do processo.

Confidencialidade durante a investigação

Matteo Bruni ressaltou que nenhuma informação sobre o andamento do processo pode ser divulgada enquanto a investigação estiver em curso.

Segundo ele, a confidencialidade busca garantir o devido processo legal e proteger todas as pessoas envolvidas.

"O processo, como qualquer procedimento jurídico, não permite a divulgação de informações sobre as ações em andamento", afirmou.

A investigação tramita como processo penal canônico, possível graças à renúncia ao prazo de prescrição dos supostos delitos, permitindo que o tribunal examine os fatos à luz do Direito Canônico.

Marko Rupnik é acusado por diversas religiosas de abusos psicológicos, espirituais e sexuais que teriam ocorrido durante a década de 1990, em uma comunidade religiosa feminina na Eslovênia.

As denúncias chegaram ao Dicastério para a Doutrina da Fé em 2021. Inicialmente, o caso foi considerado encerrado em 2022, mas foi reaberto por determinação do Papa Francisco no ano seguinte.

Quando as acusações vieram a público, a Companhia de Jesus informou que Rupnik havia sido excomungado em 2020 por absolver, em confissão, uma mulher com quem mantinha relacionamento sexual. A excomunhão, contudo, foi posteriormente revogada.

A Santa Sé também esclareceu que a competência dos tribunais eclesiásticos limita-se ao âmbito canônico.

Eventuais responsabilidades criminais perante a justiça civil dependem das autoridades dos países onde os supostos crimes teriam ocorrido, bem como das normas e prazos previstos na legislação de cada Estado.

O comunicado foi divulgado poucos dias após a advogada Laura Sgrò, representante de cinco denunciantes, manifestar preocupação com a demora do processo e a ausência de informações sobre sua tramitação.

Segundo ela, os denunciantes se sentem desanimados diante da falta de transparência. Em resposta, a Santa Sé reiterou que o sigilo faz parte das garantias processuais e que o caso permanece sob análise do tribunal competente.

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