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Livro aborda a questões de liberdade religiosa pouco debatidas em um país dito como laico

"Quem Foi Que Falou em Igualdade?" traz os bastidores da luta antirracista e os desafios enfrentados pelos religiosos de matriz africana no Brasil contemporâneo

Há 2 horas - por redação
Livro aborda a questões de liberdade religiosa pouco debatidas em um país dito como laico

A obra “Quem Foi Que Falou em Igualdade?”, da jornalista, antropóloga e pesquisadora Rosiane Rodrigues de Almeida, publicada pela Editora Telha, mergulha nas contradições que cercam a busca por igualdade racial e liberdade religiosa no Brasil. A pesquisa aborda a construção das políticas públicas de igualdade racial tendo com o lócus o Conselho Municipal de Defesa dos Direitos do Negro do Rio de Janeiro, primeiro a ser fundado no país, em 1989.

A autora reconstrói a trajetória do Conselho a partir de suas lideranças, com intuito de perceber como os membros das igrejas neopentecostais tem relativizado as violências sofridas pelos terreiros através da manipulação das categorias cor/raça/pertencimento religioso. “Quem Foi Que Falou em Igualdade?” mostra as disputas entre religiosos de terreiros e neopentecostais na criação de mecanismos legais de proteção às liberdades de fé e crença. A pesquisa destaca a relevância de iniciativas que resultaram em instrumentos como o Estatuto da Igualdade Racial e outras políticas voltadas à garantia de direitos.

Um dos principais pilares do livro está na análise da chamada “intolerância religiosa”, como uma categoria datada. Rosiane demonstra como as perseguições contra praticantes de Umbanda e Candomblé ultrapassam a esfera da intolerância religiosa e se conectam diretamente a processos históricos de exclusão racial. A antropóloga ensina que a violência simbólica e material contra os povos de terreiro permanece presente mesmo diante dos avanços legislativos conquistados nas últimas décadas.

Rosiane também explora as tensões existentes entre identidade racial, pertencimento religioso e representação política. “Quem Foi Que Falou em Igualdade?” revela divergências sobre quem pode falar em nome da população negra e quais pautas devem ocupar posição prioritária na luta por reconhecimento. As controvérsias analisadas ajudam a compreender a complexidade das relações entre movimentos negros, ativistas religiosos e instituições públicas.

“Quem Foi Que Falou em Igualdade?” convida o leitor a refletir sobre os significados da cidadania, da diversidade e do respeito às diferenças. Ao reunir história, antropologia e experiência de campo, Rosiane Rodrigues oferece uma contribuição relevante para a compreensão dos desafios que ainda cercam a efetivação da igualdade no Brasil e reafirma a importância da defesa dos direitos humanos em uma sociedade plural.

 

“O livro traz os bastidores das lutas dos religiosos de matriz africana por garantia de direitos a partir de um espaço privilegiado do Movimento Negro carioca. Num cenário de mudanças, sobressaem as disputas sobre pertencimento religioso, cor e raça entre candomblecistas e neopentecostais sobre legitimidade e quem pode (ou não) reivindicar a vitimização por racismo”  – Rosiane Rodrigues de Almeida, antropóloga e escritora

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