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5º Congresso Vocacional do Brasil começa nesta sexta-feira em Aparecida

Com o tema “Comunidades Vocacionais: encontro, testemunho e missão”, encontro nacional reúne a Igreja entre os dias 4 e 6 de setembro para refletir sobre a cultura vocacional; nos bastidores, 47 leigos, religiosos e sacerdotes, distribuídos em dez equipes

Há 7 horas - por Ronnaldh Oliveira, da redação
Plenária do V Congresso Vocacional do Brasil em Aparecida/ Foto: Padre Gabriel Natan
Plenária do V Congresso Vocacional do Brasil em Aparecida/ Foto: Padre Gabriel Natan

Começa nesta sexta-feira, 4 de setembro, em Aparecida (SP), o 5º Congresso Vocacional do Brasil. Até domingo (6), participantes de diferentes regiões do país estarão reunidos no Centro de Eventos Pe. Vitor Coelho de Almeida, no complexo do Santuário Nacional, para um itinerário de reflexão, oração, partilha e diálogo sobre a realidade vocacional da Igreja no Brasil.

Promovido pela Comissão Episcopal para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada (CMOVIC), da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), o Congresso tem como tema “Comunidades Vocacionais: encontro, testemunho e missão” e é iluminado pelo lema bíblico “Perseverantes e bem unidos, partiam o pão pelas casas” (cf. At 2,46).

Mais do que discutir vocações específicas, a proposta coloca a própria comunidade cristã no centro da reflexão. A perspectiva apresentada no texto-base é de que a vocação não pode ser compreendida como projeto exclusivamente individual: ela nasce, é discernida, acompanhada e amadurece dentro de uma comunidade que também se reconhece como chamada por Deus. A identidade visual do Congresso procura traduzir justamente essa compreensão da vida comunitária como lugar de encontro, geradora de testemunho e impulsionadora da missão.

Uma Igreja chamada a ser comunidade vocacional

Os Congressos Vocacionais do Brasil foram se consolidando, ao longo das últimas décadas, como espaços nacionais de estudo e articulação da animação vocacional. As reflexões desenvolvidas nesses encontros ajudam a estabelecer caminhos para o Serviço de Animação Vocacional e para as Igrejas locais. Nesta quinta edição, a proposta é convidar a Igreja brasileira a redescobrir sua identidade como uma “assembleia de chamados”.

O caminho formativo que antecedeu Aparecida também alcançou os regionais da CNBB. Em Santa Catarina, por exemplo, a etapa do Regional Sul 4 reuniu representantes das arquidioceses e dioceses entre os dias 15 e 17 de maio. As reflexões percorreram os eixos da exegese, encontro, testemunho e missão, abordando temas como juventudes, escuta, discernimento, acompanhamento vocacional e presença no ambiente digital.

O texto-base preparado para o 5º Congresso também está organizado em quatro partes: Exegese, que apresenta o modelo bíblico; Encontro, relacionado à Iniciação à Vida Cristã; Testemunho, dedicado às atitudes vocacionais; e Missão, voltada ao compromisso de todos.

Essa construção aponta para uma compreensão transversal da cultura vocacional: despertar e acompanhar vocações não é responsabilidade apenas de padres, religiosos, religiosas ou de equipes especializadas, mas missão compartilhada por toda a comunidade eclesial.

Três dias para percorrer caminho, fé e partilha

A programação nacional foi organizada de modo que cada dia aprofunde uma dimensão desse percurso.

Nesta sexta-feira (4), o painel “Caminho: Nossa história vocacional na vida da comunidade eclesial” recupera a trajetória dos Congressos Vocacionais e sua relação com a vida das comunidades. Participam da reflexão dom Ângelo Ademir Mezzari, arcebispo de Vitória (ES) e presidente da CMOVIC; irmã Clotilde Azevedo, das Irmãs Apostolinas; e dom José Albuquerque, bispo de Parintins (AM) e referencial da Animação Vocacional e Formação.

No sábado (5), a reflexão estará concentrada em “Fé: A graça que anima a vida da comunidade”. O painel deverá aprofundar como catequese, liturgia e os diferentes serviços presentes nas paróquias contribuem para uma comunidade capaz de despertar e acompanhar vocações. Participam o padre Thiago Faccini Paro, o padre Marcelo Ribeiro e frei Luís Felipe Carneiro Marques.

O último dia, domingo (6), aproxima a animação vocacional de um dos grandes desafios contemporâneos da evangelização. O painel “Partilha: Comunicação e juventude a serviço da cultura vocacional” refletirá sobre a presença cristã no ambiente digital e sobre linguagens capazes de dialogar com as realidades juvenis.

Participam Osnilda Lima, assessora da Comissão Episcopal para a Comunicação Social da CNBB; dom Maurício da Silva Jardim, bispo de Rondonópolis-Guiratinga (MT) e presidente da Comissão Episcopal para a Ação Missionária e Cooperação Intereclesial; e a professora Patrícia Teixeira, da PUCRS, coordenadora do Observatório Juventudes da PUCRS/Rede Marista e integrante da equipe responsável pela atualização do Documento 85 da CNBB, Evangelização da Juventude.

47 pessoas e dez equipes nos bastidores do Congresso

Para que as reflexões, celebrações e diferentes experiências previstas para os três dias aconteçam, o V Congresso Vocacional também mobiliza uma estrutura que começa muito antes da chegada dos congressistas a Aparecida.

Ao todo, 47 pessoas, entre leigos, religiosos, religiosas e sacerdotes, integram dez equipes responsáveis pela organização e pela estrutura do encontro.

São homens e mulheres de diferentes estados de vida que assumem tarefas distintas e complementares para tornar possível a realização do Congresso. O trabalho dos bastidores também expressa, de maneira concreta, aquilo que o próprio encontro pretende aprofundar: uma Igreja em que diferentes vocações colocam seus dons a serviço de uma missão comum.

A diversidade da equipe organizadora ganha, assim, significado para além da logística. Enquanto o Congresso propõe pensar comunidades capazes de gerar encontro, testemunho e missão, sua própria realização depende da corresponsabilidade entre vocações diferentes.

CMOVIC: articulação das diferentes vocações

À frente do Congresso está a Comissão Episcopal para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada (CMOVIC) da CNBB, presidida por dom Ângelo Ademir Mezzari.

A Comissão atua na articulação de diferentes expressões e organismos ligados às vocações e aos ministérios na Igreja no Brasil. Essa dinâmica reúne realidades como o Serviço de Animação Vocacional (SAV), a Organização dos Seminários e Institutos do Brasil (OSIB), representações dos presbíteros e diáconos, a Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB) e a Conferência Nacional dos Institutos Seculares do Brasil (CNIS). Em encontros preparatórios para o Congresso, esses diferentes organismos já estiveram reunidos para pensar conjuntamente a animação vocacional.

A realização do Congresso é, portanto, parte de um processo mais amplo. Ao longo de 2026, encontros regionais, fóruns e iniciativas formativas prepararam o caminho para a etapa nacional. Entre as ações esteve também uma Escola de Preparação para Animadores Vocacionais, realizada entre fevereiro e junho, que recuperou a história dos Congressos Vocacionais e discutiu desafios contemporâneos da animação vocacional.

De Aparecida para as comunidades

O encontro nacional começa nesta sexta-feira, mas sua perspectiva aponta para além dos três dias em Aparecida.

Ao escolher a imagem das primeiras comunidades cristãs — “perseverantes e bem unidos” e reunidas para partir o pão —, o V Congresso coloca uma questão diante da Igreja no Brasil: que comunidades estão sendo construídas para que crianças, adolescentes, jovens e adultos possam descobrir a própria vida como vocação?

Essa pergunta atravessa o acompanhamento, a catequese, a liturgia, as juventudes, a comunicação e a própria maneira como as relações são estabelecidas dentro das comunidades.

De 4 a 6 de setembro, Aparecida torna-se o ponto de encontro desse caminho. Depois, o desafio será fazer com que as reflexões retornem às dioceses, paróquias, comunidades e diferentes realidades eclesiais do país.

Porque, na perspectiva proposta pelo V Congresso, falar de cultura vocacional não significa apenas perguntar “qual é a minha vocação?”.

Significa também perguntar que comunidade estamos construindo para que cada pessoa possa escutar, discernir, responder e perseverar no chamado que recebeu.

Informações oficiais do V Congresso Vocacional do Brasil na CNBB

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