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CNBB assina pacto por paz e tolerância nas eleições

Dom Jaime Spengler defende diálogo e respeito às diferenças e pede enfrentamento à compra de votos e ao abuso do poder econômico durante o processo eleitoral

Há 14 horas - por redação com CNBB
Dom Jaime Spengler durante assinatura do pacto e enquanto discursava para os presentes /Fotos: Antonio Augusto/TSE
Dom Jaime Spengler durante assinatura do pacto e enquanto discursava para os presentes /Fotos: Antonio Augusto/TSE

O presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), cardeal Jaime Spengler, defendeu a construção de um processo eleitoral marcado pelo diálogo, pelo respeito às diferenças e pela responsabilidade ética. A manifestação ocorreu durante a assinatura do Pacto “Paz e Tolerância nas Eleições”, iniciativa que reúne o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), instituições religiosas e representantes da sociedade civil.

“Coragem para construir a paz juntos” foi o convite dirigido pelo cardeal aos participantes.

Criada em 2022, a iniciativa busca promover ações conjuntas em favor de uma cultura de paz durante as eleições e reforçar princípios como tolerância, respeito e convivência democrática.

Para dom Jaime, construir a paz no ambiente político exige reconhecer as diferenças sem transformar adversários em inimigos.

“A paz nasce da capacidade de convivência com as diferenças sem transformar o adversário em inimigo, colocando sempre a dignidade da pessoa humana e o bem comum acima dos interesses particulares.”

Paz não significa passividade

Em sua manifestação, o presidente da CNBB ressaltou que a defesa da paz não significa omissão diante de práticas que comprometem a democracia e a liberdade dos eleitores.

“É uma paz construída na justiça, na verdade, na liberdade do voto, na transparência e no respeito às instituições democráticas”, afirmou.

Nesse sentido, dom Jaime relacionou a cultura de paz à necessidade de enfrentar problemas concretos do processo eleitoral brasileiro.

Entre os desafios apontados estão a compra de votos, o abuso do poder econômico e a necessidade de controle dos recursos públicos destinados ao financiamento dos partidos e das campanhas eleitorais.

Para o cardeal, enfrentar essas questões também exige coragem e participação da sociedade.

Dom Jaime defende princípios da Lei da Ficha Limpa

O presidente da CNBB também destacou a importância da preservação de conquistas democráticas construídas com participação popular, citando especialmente a Lei da Ficha Limpa.

Dom Jaime recordou o envolvimento histórico da Igreja Católica e de organizações da sociedade civil na mobilização que levou à criação da legislação.

“A CNBB guarda particular compromisso com a Lei da Ficha Limpa. Ela nasceu da mobilização popular, com decisiva participação de organizações da sociedade civil e da Igreja no Brasil.”

O cardeal ressaltou que a defesa desses princípios não deve ser identificada com determinada força política.

“Sua defesa não pertence a um partido, a um governo ou a uma corrente política. Pertence à cidadania brasileira”, afirmou.

Para dom Jaime, preservar os princípios que deram origem à legislação significa reafirmar que aqueles que assumem responsabilidades públicas também precisam responder a critérios éticos.

Igreja reforça compromisso com participação cidadã

A participação da CNBB no pacto ocorre em meio às mobilizações da Igreja Católica relacionadas às eleições de 2026 e à formação da consciência cidadã.

Ao colocar o diálogo e a dignidade humana no centro de sua intervenção, dom Jaime defendeu uma compreensão da política na qual divergências não sejam convertidas em hostilidade.

A proposta do Pacto “Paz e Tolerância nas Eleições” segue nessa direção ao reunir poder público, sociedade civil e comunidades religiosas em torno da defesa de uma disputa eleitoral baseada no respeito às instituições e às regras democráticas.

Para o presidente da CNBB, esse compromisso precisa caminhar ao lado do enfrentamento das práticas que comprometem a liberdade do voto e a confiança da sociedade no processo eleitoral. Construir a paz, nessa perspectiva, não significa eliminar as diferenças políticas, mas criar condições para que elas possam coexistir sem violência e com o bem comum acima dos interesses particulares.

 
 
 
 

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