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Dom Jaime: crise climática exige mudanças urgentes e coletivas

Presidente da CNBB afirma que medidas paliativas já não são suficientes e defende transformação dos modelos de desenvolvimento, dos hábitos de consumo e da relação com a criação

Há 6 horas - por redação com CNBB
Dom Jaime: crise climática exige mudanças urgentes e coletivas

O presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), cardeal Jaime Spengler, alertou para a urgência da crise climática e afirmou que seu enfrentamento exige mudanças que envolvam governos, economia, ciência, educação, comunidades de fé e sociedade civil.

A reflexão foi apresentada por ocasião do 11º Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação, celebrado em 1º de setembro. Para dom Jaime, as mudanças climáticas deixaram de ser uma questão que possa ser enfrentada apenas por ações pontuais.

“As mudanças climáticas apresentam desafios que dizem respeito a toda a sociedade. Já não é possível limitar-se a administrar a crise por meio de medidas paliativas.”

Diante dos impactos já observados e das ameaças às próximas gerações, o cardeal reforçou a necessidade de respostas concretas. “Não há mais tempo a perder”, afirmou.

Crise climática exige rever modelo de desenvolvimento

Em sua reflexão, dom Jaime chama atenção para consequências da degradação ambiental que já atingem diferentes regiões e populações, entre elas a destruição de ecossistemas, a contaminação de recursos naturais, as ameaças à biodiversidade e os riscos à segurança alimentar.

Para o presidente da CNBB, esses sinais exigem também uma revisão do modelo de desenvolvimento predominante.

“O acelerado desequilíbrio ambiental e climático produz inquietação, sofrimento e insegurança”, afirma. Segundo ele, a humanidade está, em muitos casos, destruindo as próprias condições que sustentam a vida.

A análise ultrapassa, portanto, uma compreensão da crise climática restrita à preservação ambiental. Para dom Jaime, estão envolvidas questões econômicas, políticas, sociais e também éticas.

O cardeal questiona ainda uma concepção de desenvolvimento sustentada pela confiança absoluta na técnica, na ciência e na razão, quando estas são consideradas isoladamente e sem levar em conta outras dimensões da existência humana.

Mudanças estruturais precisam chegar aos comportamentos

As transformações necessárias, segundo dom Jaime, não podem ocorrer apenas nas estruturas econômicas e políticas. O enfrentamento da crise ecológica também exige uma mudança pessoal e social capaz de atingir hábitos, comportamentos e formas de relacionamento com o planeta.

Ao recorrer à Constituição Pastoral Gaudium et Spes, do Concílio Vaticano II, o cardeal relaciona os desequilíbrios presentes na sociedade ao “desequilíbrio fundamental que se radica no coração do ser humano”.

Por isso, mudanças nos sistemas de produção e consumo precisam ser acompanhadas pela transformação “das mentes e dos corações”.

Essa conversão deve favorecer, segundo o presidente da CNBB, uma relação com a criação marcada pela responsabilidade, respeito e gratidão.

Oração deve levar ao compromisso

Para dom Jaime, o Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação não deve ser compreendido apenas como uma data de conscientização ambiental, mas como oportunidade para renovar responsabilidades individuais e coletivas.

“Promover o Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação significa cooperar para o despertar de uma consciência mais atenta e responsável diante do planeta que nos permite viver.”

O cardeal também propõe compreender a criação não somente como um acontecimento do passado, mas como “um dom que continua a acontecer e a se renovar no presente, diante de nossos olhos e sob nossa responsabilidade”.

Essa compreensão, segundo ele, coloca a proteção da casa comum no campo das escolhas realizadas diariamente por pessoas, instituições e governos.

“Um imperativo ético e uma responsabilidade comum”

Diante de uma emergência ecológica que já interfere na vida de milhões de pessoas, dom Jaime defende uma resposta articulada entre diferentes setores da sociedade.

Ciência, educação, política, economia, comunidades de fé e sociedade civil precisam atuar conjuntamente na construção de respostas à crise. Para o cardeal, essa cooperação “não é apenas uma possibilidade: é um imperativo ético e uma responsabilidade comum”.

Ao concluir a reflexão, o presidente da CNBB relaciona diretamente a defesa ambiental à proteção da vida e recorda que os recursos naturais não podem ser tratados como propriedade absoluta da humanidade.

“Cuidar da criação é, portanto, cuidar da vida. É reconhecer que a terra não nos pertence de modo absoluto, mas nos foi confiada.”

Para dom Jaime, essa responsabilidade precisa se traduzir em atitudes concretas de solidariedade e compromisso não apenas com as necessidades do presente, mas também com as condições de vida que serão deixadas às próximas gerações.

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