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Leão XIV pede inteligência artificial a serviço da paz

Em mensagem ao simpósio AI4Peace, Papa defende que a inovação tecnológica proteja a dignidade humana, fortaleça os vínculos e favoreça o diálogo entre os povos

Há 50 minutos - por redação com Vatican News
Foto: @Vatican Media
Foto: @Vatican Media

O Papa Leão XIV defendeu que o desenvolvimento da inteligência artificial seja orientado pela dignidade humana e pelo compromisso com a paz. Em mensagem aos participantes do simpósio internacional AI4Peace, iniciado nesta segunda-feira, 21, em Roma, o Pontífice afirmou que a inovação tecnológica deve contribuir para fortalecer os vínculos entre as pessoas, em vez de aprofundar divisões e desigualdades.

O encontro acontece até terça-feira, 22, na Pontifícia Universidade Lateranense, com a participação presencial e virtual de pesquisadores, especialistas, representantes de instituições, universidades e organismos internacionais. A programação discute o uso da inteligência artificial na prevenção e resolução de conflitos, na proteção dos direitos humanos e na construção de modelos de governança.

A mensagem do Papa foi lida na abertura dos trabalhos pelo padre Andrea Ciucci, chanceler da Pontifícia Academia para a Vida.

Tecnologia orientada pela dignidade humana

“Em um mundo marcado por conflitos e divisões, o desenvolvimento da Inteligência Artificial exige uma visão inspirada pela sabedoria e pela caridade, para que o progresso tecnológico possa estar a serviço da dignidade de cada pessoa e fortalecer os vínculos que unem a família humana”, escreveu Leão XIV.

O Pontífice retomou a reflexão apresentada na encíclica Magnifica humanitas, destacando que a misericórdia de Deus também oferece critérios para a vida na era digital.

A partir dessa perspectiva, encorajou os participantes a investigar como a inteligência artificial pode contribuir concretamente para a aproximação entre pessoas e nações.

O objetivo, segundo o Papa, é aprofundar as possibilidades de uma tecnologia que, orientada pela atenção ao bem dos outros, favoreça “o diálogo, a reconciliação e a solidariedade entre os povos”, transformando os resultados da inovação em instrumentos de paz.

Inteligência artificial pode ampliar desigualdades

O AI4Peace é promovido pela Universidade para a Paz da Organização das Nações Unidas (ONU) e sua representação na Itália, em parceria com a Pontifícia Academia para a Vida e a Pontifícia Universidade Lateranense.

Concebido como um simpósio bienal e uma plataforma permanente de diálogo internacional, o encontro busca aproximar pesquisadores, instituições, diplomatas e representantes de diferentes áreas do conhecimento para discutir os impactos da inteligência artificial sobre a convivência entre os povos.

O reitor da Universidade para a Paz da ONU, Francisco Rojas Aravena, destacou que a construção da paz exige respostas que ultrapassem a interrupção dos conflitos armados.

“A paz não pode ser considerada simplesmente como a ausência da guerra”, afirmou. Para ele, trata-se de um processo que depende de instituições, conhecimento, cooperação e capacidade de enfrentar as causas profundas dos conflitos.

Rojas Aravena reconheceu que a inteligência artificial oferece novas possibilidades para esse trabalho, mas advertiu que também pode ampliar desigualdades, tensões e formas de conflito.

Por isso, defendeu um diálogo internacional capaz de orientar as transformações tecnológicas segundo os princípios da paz, dos direitos humanos e da dignidade humana.

Ética deve estar presente desde a criação da tecnologia

O presidente da Pontifícia Academia para a Vida, monsenhor Renzo Pegoraro, também ressaltou que a discussão sobre inteligência artificial precisa considerar as finalidades de seu desenvolvimento.

Segundo ele, não basta perguntar o que a tecnologia é capaz de realizar. É necessário definir para quais objetivos ela será utilizada e quais consequências poderá produzir.

“A ética deve entrar desde a fase de projeto”, destacou Pegoraro, acrescentando que a responsabilidade humana não pode desaparecer diante da complexidade dos sistemas tecnológicos.

Para o presidente da Academia, a defesa da vida e a construção da paz estão diretamente relacionadas. Nesse sentido, as decisões sobre inteligência artificial precisam considerar seus efeitos sobre as pessoas, as instituições e as relações sociais.

Encontro busca articulação internacional

A programação do AI4Peace reúne especialistas em economia, geopolítica, filosofia, tecnologia e relações internacionais. Entre os participantes estão os economistas Jeremy Rifkin e Jeffrey Sachs, a filósofa Antoinette Rouvroy, Sergey Bodrunov e Sergio Bellucci, além de representantes de universidades e da Unesco.

Os debates incluem sessões plenárias e trabalhos temáticos voltados às oportunidades e aos riscos da inteligência artificial em contextos de conflito e cooperação internacional.

O simpósio será encerrado nesta terça-feira, 22, com uma sessão plenária e a assinatura do documento de constituição da AI4Peace International Association, iniciativa destinada a dar continuidade à articulação entre as instituições participantes.

A proposta é manter o diálogo para além dos dois dias de encontro e contribuir para que o avanço da inteligência artificial seja acompanhado por critérios éticos, responsabilidade humana e compromisso com a paz.

 
 
 

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