Psicopedagoga do interior do Ceará transforma o cuidado com crianças autistas em missão de vida
No interior do Ceará, Wilne Maria Farias transforma o cuidado com crianças autistas em um testemunho cotidiano de inclusão, afeto e compromisso com a vida
Filha de um pescador e de uma costureira, professora da rede pública e psicopedagoga, Wilne Maria Rebouças Brito construiu sua trajetória a partir do encontro com pessoas, especialmente com crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e suas famílias. No município de Icapuí (CE), com pouco mais de 20 mil habitantes, ela se tornou referência não apenas pela formação acadêmica, mas pela forma sensível, humana e profundamente comprometida com que vive sua vocação.
Entre nove irmãos, foi uma das primeiras a concluir o ensino superior. Hoje, além de atuar diretamente no acompanhamento de crianças autistas, Wilne também se dedica, de forma voluntária, à formação de professores da rede municipal para o atendimento de alunos surdos. Seu trabalho nasce da escuta, do vínculo e da convicção de que educar é, antes de tudo, um ato de amor.
“Eu transformo a teoria que tenho em amor. As crianças com autismo são muito afetivas. Uso desse afeto como pedagogia do aprender. Aprende a criança e aprendo eu. Crescemos juntos.”

Missão que nasce do encontro
Para Wilne, o acompanhamento das crianças não se limita às técnicas pedagógicas ou aos diagnósticos. Ele passa, sobretudo, pela criação de vínculos profundos, com os educandos e com suas famílias, muitas vezes fragilizadas pelo processo de aceitação da condição dos filhos.
“Quando uma família me procura, geralmente está vivendo um momento delicado. É preciso estar de braços abertos. Ser esse abraço não tem preço.”
Consciente da marginalização que muitas crianças autistas enfrentam, a psicopedagoga defende que elas têm muito a ensinar à sociedade.
“São as que mais nos ensinam: na simplicidade, no valor do abraço, na beleza dos pequenos gestos que, para nós, passam despercebidos.”
Fragilidade que se transforma em força
A caminhada, no entanto, não está isenta de desafios. Um dos maiores, segundo Wilne, é não conseguir atender a todos que a procuram ou não poder oferecer respostas imediatas às dores das famílias.
“Lido com a dor dos pais, com a incompreensão da sociedade e, muitas vezes, com a própria criança tentando se entender. Coloco-me no lugar deles. De certa forma, o sofrimento deles também é o meu.”
Em diversos momentos, pensou em desistir. Mas é justamente na fragilidade que encontra motivação para continuar.
“Quando me sinto fraca, busco formação, respostas e ações. A palavra do apóstolo Paulo — ‘Quando sou fraco, então é que sou forte’ — me sustenta. Sinto-me mãe de cada criança que acompanho.”

Ressurreições cotidianas
Wilne define sua missão como um espaço de pequenas ressurreições diárias. Elas acontecem nela mesma, em sua família e, sobretudo, nos avanços das crianças que acompanha.
“Os pais muitas vezes não contêm as emoções. Uma mãe me disse: ‘Eu ressuscito a cada devolutiva que meu filho me dá’. Isso, para mim, é ressurreição.”
Com emoção, recorda seu primeiro atendimento: uma criança de três anos cujo sorriso marcou profundamente sua história.
“Aquele sorriso mudou tudo. Criamos um vínculo ali. Sem essa missão, eu seria outra pessoa.”
Gratidão como horizonte
Ao final de cada dia, o cansaço vem acompanhado de uma certeza: a de que não pode parar. A palavra que resume sua caminhada é gratidão.
“Toco um solo sagrado, que é a vida dessas crianças. Preciso tirar as sandálias para entrar nesse espaço. É uma responsabilidade imensa e um privilégio. Sou grata a Deus por me tornar um ser humano melhor por meio delas.”
No cotidiano silencioso do interior do Ceará, Wilne Maria segue vivendo uma vocação que não se mede por títulos, mas pela capacidade de se incluir para incluir, transformando teoria em amor e cuidado em missão.
Comentários
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Queila
Maravilhosaaa
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Sandra renusia
Você é 1000
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Sandra renusia
Essa moça é maravilhosa
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