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A Política que restaura: como a fé e o diálogo podem curar as feridas do Brasil

Há 58 minutos
Urnas eletrônicas/Foto: Canva Pró
Urnas eletrônicas/Foto: Canva Pró

Setembro é sempre um mês em que o Brasil para olhar para o seu futuro político e institucional. Quando a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) emite sua mensagem aos eleitores, ela não está fazendo propaganda partidária, mas sim lembrando um princípio fundamental da Doutrina Social da Igreja: a política, quando praticada com ética e justiça, é uma das formas mais altas de caridade. Isso se reforça nas práticas de orientação como recentemente o programa de televisão com Cardeais Brasileiros, falando sobre o tema da política, com a criação da cartilha de “Orientação Política da CNBB 2026”, ou a cartilha para “Critérios de discernimento do voto” da Frente Parlamentar Católica, somando aos esforços de influenciadores e lives on-line que tem o objetivo de formar uma consciência política sadia, combatendo a corrupção, fake News, abusos de poder econômico e político e a compra de votos. 

No dia a dia, atuando a frente de um setor de Relações Institucionais e Governamentais ou de instituições como a SIGNIS Brasil, percebo com clareza o quanto a nossa sociedade precisa dessa virada de chave. Trabalhar na ponte entre o terceiro setor, a sociedade civil e os órgãos públicos me ensina diariamente que institucionalidade não se constrói com gritos ou polarização, mas com escuta, técnica e valores inegociáveis. Quando olhamos para as grandes pautas do nosso país, vemos que os problemas sociais não são apenas números em planilhas orçamentárias; são rostos humanos que carregam dores profundas.

 É exatamente nesse ponto que a visão técnica do trabalho institucional precisa se encontrar com a sensibilidade da fé. Na minha caminhada diária, busco no abraço e na oração da Devoção a Jesus das Santas Chagas a força necessária para não desanimar diante da burocracia ou da aridez do cenário político. As chagas de Cristo nos lembram de maneira muito concreta as chagas da nossa própria gente: a fome, a falta de acesso à saúde, o desemprego e a desilusão com os gestores públicos. Esse olhar espiritual atua em todas as esferas e nos faz retornar ao Evangelho. Não podemos olhar para os gabinetes sem lembrar-se das ruas e das dores de quem mais pre

 A verdadeira transformação social exige que saibamos dialogar sem perder a nossa identidade e sem negociar a ética. Nas minhas pesquisas, tenho me aprofundado na análise de como governança transparente e planejamento estratégico aplicados às instituições podem gerar políticas públicas que realmente cheguem à ponta. Não adianta termos discursos bonitos se os processos internos não funcionam ou se os projetos não saem do papel por falta de gestão. A mensagem precisa ser clara: não se afaste da política por desilusão. A omissão abre espaço para que o egoísmo e a corrupção ocupem o poder. Exercer a cidadania é um ato diário de responsabilidade social que vai muito além do dia da cobrança, propostas, soluções e acompanhamento do trabalho de quem foi eleito para servir ao povo.

Muitas vezes, a política parece um ambiente frio e hostil, focado apenas em disputas de poder e interesses particulares. No entanto, quando aplicamos metodologias sérias de articulação e mantemos o coração focado no bem comum, transformamos reuniões de trabalho em instrumentos de justiça. Cada projeto aprovado, cada emenda direcionada à assistência social e cada diálogo construído é uma forma de curar uma ferida aberta na sociedade.

 Olhar para Jesus das Santas Chagas nos ensina a não ter medo de tocar nas feridas do mundo. Ele não se desviou da dor humana; ao contrário, assumiu as nossas dores para nos trazer a cura e a salvação. Todo cristão deve encarar os problemas do país com coragem, usando suas competências técnicas para construir pontes onde a divisão insiste em erguer muros. Precisamos atuar e aprender a como cobrar uma liderança ética em tempos de crise. Ficou evidente que o mercado e a sociedade não aceitam mais líderes improvisados. Precisamos de profissionais preparados, que conheçam as leis, respeitem o orçamento público e saibam mapear riscos, mas que mantenham a honestidade e a empatia como pilares fundamentais de suas condutas diárias.

 Se queremos ver um Brasil mais justo, precisamos começar exigindo transparência nas instituições e praticando essa mesma transparência nas nossas pequenas atitudes diárias. A ética na política começa no respeito ao próximo na internet, na recusa em espalhar notícias falsas e no compromisso real com a verdade. É esse o testemunho que atrai os jovens e renova a esperança de que um futuro diferente é plenamente possível.

 Por tudo isso, ao acompanharmos os debates e as diretrizes do nosso país neste mês de setembro, não olhemos para a política com desprezo, mas com o compromisso de quem quer transformar. Que a nossa fé não seja um refúgio isolado do mundo, mas o combustível que nos impulsiona a trabalhar por leis mais justas e por instituições mais humanas e eficientes.

 Termino este artigo lembrando que o amor ao próximo se traduz em atos concretos de serviço. Que as dores do nosso povo encontrem em cada um de nós, seja como comunicadores, gestores, estudantes ou cidadãos, uma resposta de trabalho sério, oração constante e dedicação incansável ao bem comum. É assim que fazemos da nossa fé uma força viva e atuante na históriacomo comunicadores da Paz!

 

Sobre o autor

Geizom Sokacheski

Geizom Sokacheski é um profissional de comunicação e marketing com mais de duas décadas de atuação estratégica no setor de radiodifusão e no terceiro setor. Atualmente, exerce a presidência da SIGNIS Brasil para o triênio 2026–2028, após ter servido como vice-presidente na gestão anterior. Sua trajetória é profundamente ligada à Associação Evangelizar é Preciso, onde ingressou em 2004 e foi o idealizador da área de Expansão da Rede Evangelizar de Comunicação, hoje reconhecida como a maior rede de distribuição de conteúdo audiovisual cristão-católico do país. Ao longo de sua carreira na instituição, desempenhou papéis fundamentais na estruturação de diversos departamentos vitais, incluindo Marketing, Comunicação, Assessoria, Eventos, Ação Social, a Direção de Expansão, Engenharia de Radiodifusão, Almoxarifado e Gestão de Projetos. Em 2025, assumiu um novo desafio estratégico como Gestor de Relações Institucionais e Governamentais da Obra.
Trajetória na Obra Evangelizar: Voluntário no Projeto Evangelizar é Preciso; Auxiliar de Escritório, Coordenador de Mídias; Gerente de Expansão; Diretor de Engenharia, Expansão, Almoxarifado e Projetos; Gerente de Relações Institucionais; Liderança e Articulação Institucional.

Reconhecido como um dos profissionais de maior influência nos veículos de comunicação de inspiração católica na América Latina, Geizom possui uma vasta rede de articulação.

Membro do Conselho Superior da ABERT (Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão) desde 2018. Colaborador ativo da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), integrando o seu Setor Comunicacional desde 2019. Consultor e articulador entre instituições brasileiras e a Santa Sé (Vatican News e Dicastérios do Vaticano), além de organismos como CELAM, Cáritas e REPAM. Comunicação e Missão Além da gestão técnica e política.
Geizom é historiador, apresentador e escritor. É autor do livro "A Obra e sua Missão de Fé" e coordenador nacional e internacional dos Mensageiros de Jesus das Santas Chagas.

Sua atuação é marcada pela visão de dados aplicada à expansão da fé e pela defesa da democratização do acesso à comunicação de qualidade. Formado em Marketing, possui especializações em Gestão para Dirigentes pela Fundação Dom Cabral, formações nacionais e  internacionais em comunicação e cultura de paz pela Pontifícia Universidade Javeriana, na Colômbia e formações ligadas a comunicação e educação católica no país em diversas instituições.

 
 

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