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Sinodalidade, escuta e comunicação

Há 1 mes
Marcus Tullius: "Para caminhar juntos é preciso escutar juntos e comunicar juntos. É a experiência da comunhão. "
Marcus Tullius: "Para caminhar juntos é preciso escutar juntos e comunicar juntos. É a experiência da comunhão. " (foto por Luís Henrique Marques)

O mês de outubro, marcado pela oração e reflexão sobre as missões, ganhou uma tônica especial neste ano de 2021, com a abertura do Sínodo dos Bispos sobre a sinodalidade. Tanto a celebração em nível universal, presidida pelo papa Francisco no fim de semana de 10 de outubro, quanto as celebrações em nível diocesano no dia 17 de outubro, mostram a vitalidade da igreja e a disposição para atender ao apelo do pontífice: por uma igreja sinodal - comunhão, participação e missão.

Sinodalidade deverá ser a cantilena no discurso eclesial pelos próximos dois anos e que ela seja também a práxis, por aquilo que se delineia a partir do Sínodo dos Bispos. A Comissão Teológica Internacional afirma que “sínodo é uma palavra antiga e veneranda na Tradição da Igreja, cujo significado recorda os conteúdos mais profundos da Revelação. […] Indica o caminho que os membros do Povo de Deus percorrem juntos.”

E qual o papel da comunicação, da Pastoral da Comunicação neste processo sinodal? A Secretaria Geral do Sínodo divulgou o documento preparatório e o Vade-mécum da Assembleia sinodal de 2023, especialmente para esta primeira etapa realizada nas dioceses. O documento afirma que "para sensibilizar e encorajar a participação, pode-se fazer ampla publicidade sobre o Sínodo, de modo a comunicar o seu significado e os seus objetivos e de que forma as pessoas podem participar nele."

É de extrema importância que todos - sem exceção - sintam-se parte neste processo. Por isso, a nossa comunicação deve privilegiar a produção de conteúdos voltados para explicar o que é sínodo, quem pode participar, como participar e dar ampla visibilidade a cada etapa. Seja por meio de matérias nos sites, podcasts, pequenos vídeos e cards para redes sociais. Devemos usar da criatividade para tornar este caminho proveitoso.

Mas, é válido recordar que a primeira fase sinodal é a da escuta. O fato de nos escutarmos uns aos outros, diz o Vade-mécum, é enriquecido pelo conhecimento mútuo e pela partilha de vida em conjunto. Pode ser muito útil partilhar uma atividade comum antes de começar a encontrar-se e a dialogar uns com os outros. Será uma bela oportunidade para redescobrirmos a escuta, esta dimensão perdida da comunicação. Creio que mais do que o caminhar juntos, a escuta é o ponto de encontro entre sinodalidade e comunicação.

Em tempos de falatório, a escuta é o caminho fecundo para a abertura ao Espírito Santo, para a abertura aos irmãos e para o próprio caminho sinodal. Não é o mundo escutar as autoridades religiosas. É um movimento, exigente, das autoridades escutarem o povo de Deus. A Igreja que abre seus ouvidos para escutar os anseios e clamores do povo. 

A questão fundamental do Sínodo é a seguinte: “uma Igreja sinodal, ao anunciar o Evangelho, caminha em conjunto. Como é que este caminho em conjunto está acontecendo nas igrejas locais? Que passos é que o Espírito nos convida a dar para crescermos no nosso caminhar juntos?”

Para caminhar juntos é preciso escutar juntos e comunicar juntos. É a experiência da comunhão. Um exercício que deve começar agora.

Sobre o autor

Marcus Tullius

Filósofo e publicitário. Coordenador geral da Pascom Brasil e membro do Grupo de Reflexão em Comunicação da CNBB. É autor do livro Esperançar: a missão do agente da Pastoral da Comunicação, pela Editora Paulus.